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Dama dos palcos e das telas, Marieta Severo chega aos 70 anos

Atriz fez inúmeros papéis, mas certamente ficou marcada como a Dona Nenê, de 'A Grande Família'; veja galeria

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

02 de novembro de 2016 | 14h03

Em 1966, a filha de um desembargador, que sonhava ser bailarina mas se tornou atriz, integrou o elenco de uma novela na ainda incipiente TV brasileira - na Globo, que engatinhava. As novelas eram dramalhões mexicanos, só depois iam adquirir cara e formato nacionais. O Sheik de Agadir, de Glória Magadan, foi um grande sucesso na época. Uma jovem atriz fazia uma delicada princesa árabe. Seu nome - Éden. Na trama, ocorriam misteriosos assassinatos, atribuídos ao 'Rato'. Surpresa no desfecho - o Rato era ninguém menos que Éden.

Marieta da Costa Severo deve rir lembrando-se disso. Um ano antes, em 1965, estreou no cinema em Society em Baby Doll, longa do diretor de teatro (e guru da contracultura) Luiz Carlos Maciel. E ainda em 1966 teve direito a um pequeno papel em Todas as Mulheres do Mundo, de Domingos de Oliveira, com direito a citação e tudo de O Sheik de Agadir. Desde então, tem sido uma trajetória e tanto de Marieta Severo - no teatro, cinema e TV. Nesta quarta, 2, ela completa 70 anos, mas só foi registrada no dia 3, porque o pai não queria saber de comemoração no Dia dois Mortos.

Nasceu no Rio, foi casada com o compositor Chico Buarque de Hollanda, com quem teve três filhas (Helena, Luísa e Sílvia) e, desde 2004, namora o diretor (de teatro) Aderbal Freire Filho. Em 2002, recebeu o Troféu Oscarito em Gramado. Em 2005, com a amiga Andrea Beltrão, fundou o Teatro Poeira, no Rio. Para o público, será sempre - eternamente! - a Nenê de A Grande Família. Mas ela fez tanta coisa, e boa, que vale lembrar um pouco dessa carreira excepcional.

 

No cinema

Chuvas de Verão, de Cacá Diegues, de 1977.

Marieta faz uma das personagens que cruzam a trajetória do velho aposentado (Jofre Soares) que veste on pijama, como quem se retira da vida, mas a vida vem.

O Homem da Capa Preta, de Sérgio Rezende, 1986.

Marieta faz Zionas, a mulher do lendário Tenório Cavalcanti, na biografia do homem da metralhadora - a 'Lurdinha' - com a qual construiu uma carreira política em Duque de Caxias, Estado do Rio.

Faca de Dois Gumes, de Murilo Salles, 1989.

Numa fase de descrédito do cinema brasileiro, que iria entrar na terra de ninguém da era Collor, esse policial vigoroso mostrou que a produção nacional tinha, sim, força. Marieta faz Sônia.

Carlota Joaquina, Princesa do Brasil, de Carla Camurati, 1995.

O filme símbolo da retomada, memorável êxito de público. Marieta faz a mulher de D. João VI, que odiava a colônia na qual veio se exilar com o marido.

A Dona da História, de Daniel Filho, 2004.

O filme conta duas fases da vida de uma mulher. Marieta faz a protagonista, Carolina, madura. Débora Falabella interpreta Carolina jovem.

No teatro

Se Correr o Bicho Pega se Ficar o Bicho Come.

Memorável espetáculo do Grupo Opinião, de 1966. Com texto de Oduvaldo Vianna Filho e Ferreira Gullar, mostra a lutas de um brasileiro comum, Roque, para sobreviver durante a ditadura.

Roda Viva, de 1968.

A primeira peça de Chico Buarque teve direção de José Celso Martinez. Considerada uma das montagens essenciais da história do teatro no País. Tornou-se alvo de agressões do Comando de Caça aos Comunistas durante a ditadura.

O Casamento do Pequeno Burguês, de 1974

Os Saltimbancos, de 1977. Musical infantil com letras de Sérgio Basrsotti e música de Luis Bacalov, baseado em Os Músicos de Bremen, dos Irmãos Grimm. Chico Buarque fez a adaptação e criou músicas adicionais.

Ópera do Malandro, de 1978.

Outra parceria de Chico com José Celso Martinez Correia. A ideia de adaptar Brecht nasceu de uma conversa de Chico com Ruy Guerra.

A Dona da História, de 1998.

A peça de João Falcão que deu origem ao filme de Daniel Filho.

Quem Tem Medo de Virginia Woolf?, de 2000.

Marieta e Marco Nanini refizeram no paslco o strip-tease emocional de um casal, texto de Edward Albee, repetindo Elizabeth Taylor e Richard Burton na tela. Liz ganhou o Oscar pelo filme de Mike Nichols.

As Centenárias, de 2007.

Milton Moreno escreveu a peça a pedido de Marieta e Andréa Beltrão. Duas carpideiras viajam o Nordeste chorando em velórios e contando histórias.

Incêndios, de 2014.

Na premiadíssima montagem do texto do libanês Wajdi Mouawad, Marieta faz Nawal, cuja história atravessa a guerra. Morta, ela outorga ao casal de filhos uma missão - encontrar o pai e um irmão que eles nem sabiam possuir. Melhor atriz do ano pela APTRJ, Associação de Produtores de Teatro do Rio.

TV

Vereda Tropical, 1984.

Marieta demorou a se afirmar na televisão. E isso talvez tenha ocorrido com a ambiciosa Catarina na novela de Carlos Lombardi com supervisão de Sílvio de Abreu.

Ti-Ti-Ti, 1985.

Na novela de Cassiano Gabus Mendes, fazia Susana, mulher do costureiro Ariclenes (Luiz Gustavo), numa relação de amor e ódio marcada pelo humor.

Que Rei Sou Eu?, 1989.

Na novela de Cassiano Gabus Mendes que marcou época como farsa, era a nobre Madeleine, casada com Daniel Filho e que sofria com o assédio da rainha Valentina (Teresa Rachel) a seu marido.

Comédia da Vida Privada, 1995/1997.

Marieta estrelou diversos episódios que ficaram como dos melhores na série de Guel Arraes e Jorge Furtado - Mãe É Mãe, Parece Que Foi Ontem, A Grande Noite.

A Grande Família, 2001/2014.

Ter sido Dona Nenê por 13 anos foi um feito de longevidade. E, pelo público, ela ainda estaria no ar até hoje.

Verdades Secretas, 2015.

Marieta foi melhor atriz pela APCA por seu papel como Fanny Richard na novela de Walcyr Carrasco que se beneficiou do horário das 11 (23 horas) para ousar mais - nas cenas e nos temas.

 

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