Daft Punk estremece primeira noite do TIM Festival

Aos 10 minutos do sábado, na tenda principal do TIM Festival 2006, a dupla francesa Daft Punk iniciou o show mais inacreditável do festival até o momento. Pau puro no som, um conceito de simbiose entre visualidade e música, um questionamento inteligente do limite da música eletrônica.Guy Manoel de Homem Christo e Thomas Bangalter, os homens por baixo dos capacetes laminados, conseguem a proeza de forçar adiante os limites daquilo que o Kraftwerk vem fazendo há mais de 30 anos, questionando a civilização da máquina ao mesmo tempo em que dominam a máquina.Incrustados numa pirâmide de pura pirotecnia visual, seccionada ao meio como uma fatia de queijo, eles parecem os dois marcianos cabeçudinhos daquele filme Marte Ataca, perseguindo terráqueos com seus lasers e disparos atordoantes. A batida intensifica-se com os movimentos imagéticos, mas não há tédio: a pirâmide e o som estão em constante mutação. Os efeitos visuais, no entanto, não são apenas uma exibição esnobe de alta tecnologia: tudo é construído com signos da hipersaturação visual, com as luzes imitando pulseiras fosforescentes de danceteria, imagens de caleidoscópios, chuvas de estrelas de réveillon, os circuitos de Matrix, os capacetes iluminados de Tron, as espadas de lasers de Darth Vader e Jornada nas Estrelas, a teia do Homem-Aranha.O Daft Punk instala sua pirâmide no meio de uma platéia, inicialmente, estática, como o monólito de Uma Odisséia no Espaço no deserto. Quando o monólito vai-se abrindo, enfim, é como se tornasse um portal tridimensional, com dois guardiães malucos na entrada, espalhando chaves e senhas. Quando tocam finalmente seu maior hit, One More Time, a platéia do TIM já está dominada.

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