Da Vinci in Rio, pós-frenesi londrino

Com 9 dos 15 quadros reconhecidamente de Leonardo Da Vinci, e chamada de "histórica" pela imprensa londrina, "a exposição do século" , a mostra Leonardo - Pintor da Corte de Milão encerrou sua temporada arrebatadora na National Portrait Gallery ontem. Para se ter uma dimensão do sucesso: foram mais de 300 mil visitantes só nos dez primeiros dias, em novembro.

O Estado de S.Paulo

06 de fevereiro de 2012 | 03h08

As filas na Trafalgar Square bateram os recordes da galeria, estabelecida em 1856. Da Vinci foi rebatizado de "o astro do rock da Renascença". Os ingressos foram tão concorridos quanto os dos shows da O2 Arena - já na abertura, o mês de dezembro se esgotou. A espera chegou a cinco horas nos piores dias, parte dela no frio invernal.

O número de visitantes teve de ser limitado pelos funcionários do museu, para melhorar a sensação de desconforto diante das telas: a entrada foi reduzida de 230 para 180 pessoas, com entrada a cada meia hora.

No fim de junho, início do ameno inverno carioca, Da Vinci desembarca no Museu Nacional de Belas Artes, para ficar dois meses. A mostra vem em versão menor, com cerca de 40 itens, incluindo desenhos, cópias, manuscritos e itens que compõem sua porção cientista (em Londres, foram mais de 60) e o nome Leonardo da Vinci: A arte de um gênio. A parte emprestada da coleção da rainha Elizabeth não virá.

A diretora do museu, Monica Xexéo, confia na boa bilheteria, a reboque do frenesi londrino. O desafio é superar booms como os causados por Rodin (226 mil pessoas, em 1995) e Monet (432 mil, em 97).

A iniciativa se insere no Momento Itália-Brasil, como a de Modigliani. Enquanto este foi escolhido para abrir 2012, Da Vinci foi programado para junho para que coincida com a Rio + 20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável. Será também o período de férias, como é este de Modigliani, o que garante boa frequência.

A exposição é focada nos anos de Da Vinci (1452-1519) na corte de Milão, entre 1480 e 1490 - antes, portanto, da Monalisa, iniciada em 1503. São obras feitas encomendadas e que estão em museus como o do Vaticano e o Louvre, e que agora poderão ser apreciadas quem nunca teve acesso a elas.

Luke Syson, o curador da exposição na National Portrait Gallery, que passou cinco anos trabalhando nela, disse, ao abri-la, que a oportunidade era "sem precedentes" e que "provavelmente não se repetiria".

Não, os ingleses não viram, nem você verá a Monalisa. Mas terá a chance de desfrutar de obras como Dama Com Arminho, uma obra-prima na qual Da Vinci começou a trabalhar em 1485. A mulher de olhar fixo e sorriso insinuado, assemelhado ao da Monalisa, seria amante de Ludovico Sforza, o duque de Milão, patrono de Da Vinci. Foi ele quem lhe encomendou o afresco A Última Ceia, para a igreja de Santa Maria delle Grazie, que lhe custaria três anos de dedicação.

Para trazer Da Vinci e Modigliani o MNBA contou com parceria com os governos brasileiro e italiano. "É um privilégio para nós, brasileiros. Exposições como essas são caríssimas, com seguros altos e obras muito difíceis de deslocar, que vêm em caixas especiais, climatizadas", conta Monica Xexéo. / R.P.

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