Dá o Play | ‘Talking Sopranos’

Dá o Play | ‘Talking Sopranos’

Podcast joga novas luzes sobre muitos momentos marcantes da série, oferecendo insights e informações interessantes para os fãs novos, ou mesmo para quem viu a série na TV

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

11 de agosto de 2020 | 03h00

A quarentena, para alguns – e para mim –, foi uma oportunidade para debitar uma conta antiga em se tratando de cultura pop: vi todos os 86 episódios de Família Soprano (The Sopranos, em inglês, mas “Sopranos” para todo mundo), em ordem, pela primeira vez. Se esta fosse uma coluna sobre séries de TV, eu ousaria botar reparo em algumas coisas, mas como o objetivo é falar de podcasts, trago uma novidade. Já há algumas semanas no ar, o podcast Talking Sopranos joga novas luzes sobre muitos momentos marcantes da série, oferecendo insights e informações interessantes para os fãs novos, como eu, ou mesmo para quem viu a série na TV e agora pode relembrar de perto a história de Tony e companhia.

Apresentado por Michael Imperioli (o depressivo Christopher Moltisanti), hoje aos 54 anos, e Steve Schirripa (o ‘good guy’ da máfia série B Bobby Baccala), aos 62, o podcast caminha episódio por episódio, comentando os acontecimentos ficcionais, mas também oferecendo memórias em primeira mão (Moltisanti é desde o início um dos personagens centrais da série), detalhes de gravações, histórias do set – e conversas com outros profissionais envolvidos, entre atores (Edie Falco e Loraine Bracco, Carmela e Dra. Melfi), diretores, roteiristas, figurinistas, etc.

As conversas rendem episódios de até duas horas e meia, mas quem ama ou trabalha com televisão vai encontrar aqui extenso material de pesquisa, reflexão ou mesmo puro e simples prazer. Os podcasts que acompanham séries de TV já formam um filão volumoso no mercado americano.

Uma das revelações geradas a partir de Talking Sopranos foi a de que a HBO (pode haver um ou outro spoiler por aqui, mas não vou entregar nada muito decisivo) não queria que Tony matasse um “rato” (X9, dedo-duro, testemunha) no quinto episódio da primeira temporada, quando ele leva Meadow para visitar faculdades. Seinfeld, a outra série fundamental dos anos 90, tem uma temporada inteira sobre como os executivos de emissoras tinham ideias terríveis para as produções de então – esse controle foi largamente dissipado com o advento do streaming.

O criador de Sopranos, David Chase, também escreveu algumas linhas com personagens do universo de Sopranos durante a pandemia do novo coronavírus, lidas no podcast, e também falou sobre o adiamento do filme The Many Saints of Newark para março de 2021, por conta da quarentena. O filme é uma “prequel” de Sopranos, e se passa anos antes dos acontecimentos da série. É a primeira vez que Chase escreveu algo neste universo desde 2007.

Loraine Bracco, em um dos episódios, conta momentos no set com James Gandolfini (o ator que interpretou Tony Soprano morreu em 2013, aos 51 anos, após um ataque do coração). A maior parte das cenas da Dra. Melfi era apenas com “Jim”, e ela recorda a sua atuação com muitos elogios. “Às vezes ele pedia para filmarem apenas ele, para que ele pudesse fazer sua parte como um monólogo”, conta do seu paciente ficcional. “Ele pedia quatro ou cinco minutos da câmera para que pudesse ir em frente em apenas um pensamento. De vez em quando, eu me pegava não interpretando a Dra. Melfi, mas sendo apenas Lorainne Bracco, assistindo maravilhada àquela atuação.”

Ouça o podcast:

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