Dá o Play | 'Popcast' é referência em podcasts sobre música

Dá o Play | 'Popcast' é referência em podcasts sobre música

Com estrutura comum, programa se apoia no carisma e no saber do crítico americano Jon Caramanica e nos seus convidados, pares na profissão

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

25 de agosto de 2020 | 03h00

Referência incontornável para quem gosta de música pop americana, mas não só, o Popcast do The New York Times entra fácil em qualquer lista de melhores podcasts do assunto no mundo. Apresentado pelo singularmente carismático Jon Caramanica, o podcast tem uma estrutura comum: jornalistas se reúnem no estúdio – ou em salas virtuais, nos tempos pandêmicos – e conversam sobre assuntos em alta, identificam tendências, dissecam a obra de artistas estrelados ou que estão mudando o jogo (para usar uma expressão do inglês).

“Bem-vindo ao Popcast do New York Times, o seu farol de trás quebrado das notícias e crítica de música.” A expressão abre o programa mais recente, o que já dá uma bela introdução do tom em que o papo se desenvolve. O bom humor, entretanto, nunca é sinônimo de superficialidade ou opiniões sem embasamento, pelo contrário. Serve apenas como um tempero para discussões que – sejamos justos – às vezes antecipam questões que os artistas levantarão, outras vezes apenas recuperam bondes que já partiram da estação. É a sina do jornalismo.

Caramanica se formou em Harvard em 1997, chegou a viver em Londres para buscar um Ph.D., não concluído, mas foi em Nova York, sua cidade natal, que construiu a carreira que hoje o coloca como uma das principais referências na cobertura e crítica de música contemporânea nas Américas. Com passagem no histórico The Village Voice (semanário independente fundado por Norman Mailer que, em 63 anos de atividade, acompanhou de perto as mudanças culturais da cidade), na Rolling Stone, na Spin e na XXL (a principal revista sobre o hip-hop americano), Caramanica se tornou o principal crítico de música pop do New York Times em 2008. Era o “trabalho dos sonhos”.

Entre os parceiros frequentes de bancada, estão Jon Pareles (crítico sênior do jornal) e Joe Coscarelli (repórter de música), além da editora Caryn Ganz. Mas o Popcast também abre as portas para outros veículos de comunicação, como a Pitchfork, a Rolling Stone e diversos outros meios de comunicação e jornalistas que têm na música seu interesse principal: um gesto pouco repetido no Brasil, por exemplo.

Entre os assuntos mais recentes do Popcast, estão: como os chamados bundles (brindes como camisetas e ingressos de shows que vêm com os discos adquiridos por meio físico ou virtual) desregularam as paradas de sucesso, especialmente da Billboard nos EUA – cuja formulação vem sendo atualizada ano a ano. Ou ainda como Folklore, o novo álbum de Taylor Swift, se encaixa na carreira peculiar da cantora, que parece ter dominado a arte de levar o seu próprio talento de compositora para diferentes regiões da música, do country ao indie. No ano passado, o podcast discutiu o legado de João Gilberto após a morte do cantor e compositor, conhecido no mundo todo.

O mercado brasileiro ainda não estabeleceu um podcast “definitivo”, embora algumas tentativas tenham acontecido no passado e a cada dia se multipliquem as sugestões. O desejo superficial pelo novo a todo custo, em detrimento de considerações e estudos de história da música brasileira, por exemplo, talvez seja um dos impeditivos. Uma falha da qual, afinal, não me excluo.

Ouça o Popcast do New York Times aqui.

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