Da Jamaica às ruas de Salvador

Pode ser uma incrível coincidência, que credita ainda mais profundidade ao conceito do Baiana System. Ao mesmo tempo em que Dodô e Osmar rodavam a bordo do pré-trio elétrico, desfilando com a velha fobica no carnaval da Bahia, na Jamaica começavam a se popularizar os sound systems, nos anos 1950. Na foto antiga aí de cima, feita na Jamaica, fica evidente a semelhança com o calhambeque sonorizado que ganhou as ruas de Salvador há exatos 60 anos.

Lauro Lisboa Garcia, O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2010 | 00h00

A história dos sound systems começou e se desenvolveu na periferia de Kingston, depois se alastrou pelo mundo. Caminhões equipados com gerador de energia, amplificador, toca-discos e enormes alto-falantes saíam pelas ruas promovendo festas ao ar livre. Os DJs botavam pra rodar discos de ska e rocksteady, ancestrais do reggae e do dub, acompanhados dos vocais dos MCs. Festas de rua como essas são reproduzidas até hoje, por exemplo, no carnaval de Portobello Road, reduto afro-terceiro-mundista de Londres.

Os sound systems tornaram-se importantes veículos para a divulgação da moderna música jamaicana. No Brasil, o Maranhão foi pioneiro ao adotar a ideia com as radiolas - paredões de caixas acústicas -, não por acaso, abraçando o reggae. Suas influências estão aí bem vivas, na pulsação dos sons graves que dão corpo à música pop, nas festas de aparelhagem do Pará ao Rio de Janeiro e nos bailes black de São Paulo.

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