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Cypress Hill é a grande estrela do M.A.C Festival, em São Paulo

Grupo californiano toca no Espaço das Américas

Jotabê Medeiros, O Estado de S. Paulo

18 Março 2015 | 02h06

Grupo de seminal influência para muitas das bandas de hip-hop brasileiras, os veteranos californianos do Cypress Hill, 27 anos de estrada, voltam a se apresentar nesta quarta-feira em São Paulo, na segunda edição do festival M.A.C. (Música, Arte e Comportamento), que vai até amanhã, no Espaço das Américas.

O festival terá também apresentações de Sick Jacken (do grupo Psycho Realm), Edi Rock (dos Racionais MC's, que apresenta seu disco Contra Nós Ninguém Será com o convidado Dexter, e Haikaiss com o convidado Shaw.

Os MCs B-Real e Sen Dog, o percussionista Eric Bobo e o DJ Julio G. farão uma espécie de retrospectiva da sua carreira, com hits que remontam desde seu início, em 1991, até coisas novas, passando por um clássico do grupo, Black Sunday, de 1993. De sua casa, por telefone, o rapper Sen Dog, líder da trupe, falou ao Estado.

Quando você vê meninos e meninas de 13, 15 anos em seus shows, como se sente?

É um belo sentimento, é legal saber que a banda ainda tem o poder de alcançar as novas gerações. Que elas ainda veem o Cypress Hill como um grupo importante. Dá orgulho.

É verdade que há um novo álbum de músicas inéditas de vocês a caminho?

Sim, deve sair em setembro ou outubro. Ainda não tem um título, temos algumas opções. Terá uma sonoridade diferente, algo que nunca fizemos antes, mas ao mesmo tempo é Cypress Hill. Vai adiante em termos de sonoridade, reflete o momento, mas traz muito da bagagem do Cypress Hill. A produção é do DJ Muggs.

Em sua página no Facebook, há um tributo a Biggie Smalls (também conhecido como Notorius Big), assassinado em março de 1997. Os anos 1990 foram muito pesados para o hip-hop. Isso mudou um pouco, não?

Foi uma época em que havia uma rivalidade entre Costa Oeste e Costa Leste, mas nós nunca estivemos envolvidos nesses conflitos. Nós nos beneficiamos muito dos fãs da Costa Leste, Nova York foi o lugar onde o Cypress Hill decolou, e nós nunca nos envolvemos na rivalidade entre os rappers. Não tivemos esses tipos de problemas, mas foi um período difícil, de fato. Um monte de grandes artistas perdeu suas vidas. Nós buscamos nos manter longe daquilo, mas ainda assim tivemos bons amigos que se envolveram e se deram mal.

Seu sobrenome real é Reyes. Sua família veio de Cuba para a Califórnia. Há hoje uma tentativa de abertura, de aproximação com Cuba e Estados Unidos. Você gostaria de tocar lá?

Eu adoraria. Mas principalmente gostaria de ir até lá para visitar minha família, meus primos. Tocar seria um sonho extra. Tenho primos que são músicos, é um lugar de grande musicalidade inata.

Você tem algum tipo de proximidade com o hip-hop brasileiro?

Eu conheço o Planet Hemp. Tocamos com eles alguns anos atrás. E também gravei uma canção com os Raimundos (foram apresentados por intermédio do vocalista do Biohazard, Billy, e gravaram em Los Angeles). Eles são bons. Não entendo a língua 100%, mas eu entendo o movimento e a vibe, é uma boa vibe.

Vocês foram uma das primeiras bandas a defender a legalização da maconha. Acha que hoje há mais tolerância a respeito da marijuana?

Eu acho que as pessoas cresceram de forma parecida em muitos países, como Estados Unidos e Brasil, e se acostumaram a ver que a marijuana não era aquele grande monstro que pintavam. Acho que as sociedades passaram a ter mais tolerância com os usuários, entendem que podem levar suas vidas sem se incomodar com isso.

No mainstream do hip-hop atual, o nome de Pharrell Williams parece ser um dos mais destacados. Você gosta dele? O que acha de sua música?

Ele é muito bom, muito talentoso. Tem uma grande visão, e é também um belo produtor, daquele tipo que a gente tem necessidade no hip-hop, porque consegue manter as características de cada artista. Além de ser um grande cara.

CYPRESS HILL

Espaço das Américas.

R. Tagipuru, 795, Barra Funda, tel. 3864-0084. Quarta-feira, às 20h30 (abertura, 19h30). R$ 160/ R$ 200. 

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