Cyberpunk nasce nos punhos de Ranx

Há uma outra lenda italiana dos quadrinhos em edição especial nas livrarias brasileiras no momento. Trata-se de Ranxerox, da Conrad Editora, uma obra fundadora nos comics. Passados 32 anos de sua edição inicial na revista Cannibale, a gênese do robô ensandecido criado em 1977 por Stefano Tamburini e Tanino Liberatore chega em edição luxuosa ao Brasil.

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2010 | 00h00

Um leitor que folhear esses esboços e essas histórias pela primeira vez pode pensar que Ranx, o apelido do robô, é uma cópia de O Exterminador do Futuro. Bom, o filme com Arnold só veio sete anos depois... Dá para entender boa parte da ultraviolência posterior nessas páginas, de Tarantino a Guy Richie e até o casal de psicopatas de Oliver Stone em Assassinos por Natureza (filhotes, obviamente, de Ranx e Lubna, heróis de Tamburini e Liberatore).

Exagero? Não mesmo. O universo cyberpunk começa aqui, nesse rebento caótico de Laranja Mecânica, em meio à convulsão original do punk rock. Nesse mundo de escombros, uma menina de 12 anos anda fazendo qualquer coisa para conseguir drogas, acompanhada de um robô que ela faz de escravo sexual. O único que cultiva sentimentos reais é justamente o robô frankensteiniano, Ranx, que faz qualquer coisa por Lubna - como triturar as pessoas de um vagão inteiro de metrô.

Tamburini já morreu, overdose de heroína. O desenhista Tanino Liberatore continua ditando o futuro em seus trabalhos. É dele a capa de The Man from Utopia, do falecido guitarrista Frank Zappa. A obra-chave, no entanto, Ranxerox, manteve assombrosa atualidade. "É claro que aquele Ranxerox era mais politizado, mais ligado ao movimento de 1977", disse uma vez Tamburini. O "movimento" era uma revolução cultural que geraria grupos como Sex Pistols, Ramones, New York Dolls, a moda de Vivienne Westwood, a arte de Jean Michel Basquiat, o no future.

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