Curvas e cores na obra de Ruy Ohtake

Ainda sem data prevista para oinício da construção, o arquiteto Ruy Ohtake já concluiu oprojeto do Estádio do Gama, para Brasília, que terá capacidadepara 42 mil pessoas. Nos fins de semana, o estádio será usadopara o esporte, mas durante a semana, terá como uso oatendimento social já que, como conta o arquiteto, toda a áreasob as arquibancadas será destinada a uma escolaprofissionalizante para a comunidade do Gama, ateliê para aulase exposições de artesanato.Esse é só mais um dos projetos da lista de Ohtake.Recentemente esteve nos Emirados Árabes para estudar aconstrução de um grande condomínio residencial com nove prédios."Mas ainda está em fase de negociações", reforça o arquiteto.Ao mesmo tempo, diante de tanta grandiosidade, Ruy Ohtakeorgulha-se de seu projeto social O Menino e o Mar, umaconstrução contemporânea feita a partir de bambu e tijolos e quese tornou, desde o ano passado, em um centro cultural para cercade 3 mil famílias do Litoral Norte de São Paulo. Crianças de até14 anos têm lá aulas de música e artes.Na Avenida Luiz Carlos Berrini, pode-se ver prédiosassinados por Ohtake com uma arquitetura dinâmica em formas ecores fortes. Outro projeto lembrado pelo arquiteto é o do HotelBlue Tree de Brasília, utilizado para acomodar as delegaçõesestrangeiras que vieram prestigiar a posse do presidente LuizInácio Lula da Silva. E em se tratando de hotéis, um dos novosespaços de São Paulo, o Hotel Unique, que desde setembro estáfuncionando na Avenida Brigadeiro Luís Antônio, também é umprojeto do qual se orgulha Ruy Ohtake. Um arco de 100 metros decomprimento é a forma-base do edifício que remete a um asemiluaesverdeada segurada por duas empenas de concreto com 25 metrosde altura cada uma. "É uma forma forte, mas lírica, com umaleveza surpreendente ou inovadora", diz o arquiteto, enquantoexplica o conceito de sua obra.O projeto começou a ser pensado em 1999 e foi concluídoem 2002. Ruy Ohtake até montou um pequeno escritório no localpara que pudesse acompanhar in loco todo o processo deconstrução do hotel. São sete andares e, no oitavo, uma imensacobertura onde funciona o restaurante chefiado por EmmanoelBassoleil e onde está a piscina feita com azulejos vermelhos. Nafachada, o grande arco esverdeado traz as janelas redondinhas departe dos 95 apartamentos do hotel, estas com vista para oParque do Ibirapuera. A outra parte dos apartamentos fica defrente para o bairro dos Jardins.O design da fachada em forma de curva é a "linha daarquitetura contemporânea brasileira", como caracteriza Ohtake.Para se chegar à sua cor esverdeada, o arquiteto recobriu afachada com placas de cobre pré-oxidadas, processo quepossibilitou se chegar a três tons de verde. "Nossa cidade temmuita influência do neoclássico, dos tons pastel europeus. Gostode cores fortes, da nossa cor popular", diz o arquiteto.O impressionante é que todo o projeto do Unique parte dalinha curva. Como descreve Ruy Ohtake, "herança cultural deAleijadinho", do barroco. Na curva, o claro fica para cima e oque está para baixo, escuro. "É uma curva que tem generosidade,que abraça o espaço e conversa com a cidade", afirma oarquiteto sem deixar de remeter ao grandioso arco de 100 metrosde comprimento da fachada do hotel. A grande forma de cobre,revestida por baixo por uma curva de madeira "flutua" sobre umjardim de pedras que remete a um "mosaico solto" por ondepassa um pequeno córrego sinuoso.A curva se faz presente também no interior do prédio.Tanto nos ondulados corredores de cada um dos andares quanto nospróprios quartos do Unique. Como o arco da fachada vai subindo,os andares vão ficando cada vez maiores por causa da imensacurva.Ohtake define o hotel como uma cidade pelas inúmerassituações que oferece. No primeiro subsolo, por exemplo, umcentro de eventos tem seu forro como nuvens de madeira. O localtem capacidade para 1.500 pessoas e sua estrutura ainda contacom cinco salas menores para reuniões.

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