Curta portfólio tem a mulher mais fatal do thriller brasileiro

Análise: Luiz Carlos Merten

O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2012 | 02h11

Marcio Garcia fez certa vez, para o repórter, um resumo do filme de ação que pretendia realizar. As cenas de Predileção já existiam na sua cabeça e, à medida que ele contava, era possível visualizar o filme. Deve ter sido assim que o cinema nasceu na caverna de Platão e, depois, na imaginação de Georges Méliès, o mágico que ensinou a mídia a sonhar, libertando-o das amarras de ser o invento científico dos irmãos Lumière.

Como diretor, ele fez um curta que frequentou o circuito dos festivais. Predileção provocou reações diversas. No Festival do Rio, o público foi receptivo. Em Gramado, houve vaias no fim da projeção. Curta portfólio, foi o veredito. Garcia estaria simplesmente querendo mostrar sua habilidade para se lançar para voos maiores - no longa.

Pode até ser que Predileção tenha nascido com esse objetivo, mas a história do grupo que planeja e executa assalto a banco é bem feita, tem uma bela perseguição e, no limite, independentemente da duração e do formato, Marcio Garcia permite que Guilhermina Guinle crie uma das mulheres mais fatais do cinema brasileiro. E isso não representa pouco.

Como ladies man - galã e apresentador -, Garcia, até por ofício, tem de entender de mulheres. A Guilhermina de Predileção é a melhor prova disso. Talvez, como tudo no curta, o twist final não seja novidade, mas o profissionalismo, já demonstrava Howard Hawks, é algo a ser respeitado. O filme é muito profissional. A dúvida - Garcia inspirou-se na Angie Dickinson amante do canalha Ronald Reagan de Os Assassinos para o desfecho de seu filme? Se foi esse o modelo, não poderia ter escolhido melhor. O diretor Don Siegel é mestre declarado do próprio Clint Eastwood.

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