Arquivo Catarina Cicarelli
Arquivo Catarina Cicarelli

Cursos adiados são ótima opção para quem está em casa

Tempo livre permite conhecer novas habilidades e melhorar aptidões

Gilberto Amêndola, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2020 | 05h00

O violão que ganhou do ex-marido estava guardado e juntando poeira em um canto do apartamento. A administradora de empresas Priscila Cavalcante, 36 anos, que sempre flertou com a música, nunca teve tempo para se dedicar às aulas. “Meu pai me colocou no piano, mas eu sempre quis violão. Depois, bem mais tarde, ganhei um violão do meu ex-marido, mas foi quando descobri que estava grávida. Minha cabeça mudou e eu deixei o violão de lado”, disse. Mas, quando a quarentena começou, ela decidiu que era hora de se reconectar com um sonho antigo. Hoje, faz aulas online de violão duas vezes por semana. “Estou redescobrindo a música. Está sendo muito enriquecedor”, completou.

Essa é a mesma situação da gerente de comunicação Catarina Cicarelli, 31 anos. “A gente sempre acha que não tem tempo por causa do trabalho, mas a quarentena mostrou que o trabalho não é o problema. Nesta fase, os dias não têm fim. Então, resolvi aprender piano”, contou. Como ter piano em apartamento é uma tarefa quase impossível, ela optou por alugar um teclado. “Tenho livros, baixei aplicativos e estou vendo vídeos no YouTube. Com os horários flexíveis, ficou mais fácil”, completou.

Priscila e Catarina são exemplos de como muita gente está aproveitando o período de isolamento social para aprender algo novo ou se engajar em alguma atividade que sempre sonhou. Música, gastronomia, ioga, cursos de gestão, idiomas e até aprender a investir na bolsa de valores estão entre elas.

Para o psiquiatra Daniel Martins de Barros, engajar-se no aprendizado de algo novo faz com que as pessoas tirem a cabeça da doença e da pandemia de coronavírus. “Uma coisa difícil na quarentena é não pensar na doença, no tempo perdido e no próprio isolamento. Então, engajar-se no aprendizado de algo faz com que você entre em um círculo virtuoso. A cada progresso, uma recompensa, o que nos mantém focado e longe de só pensar na pandemia”, comenta.

Se aqueles que sempre sonharam com música estão aproveitando para se arriscar em algum instrumento, os músicos estão de olho em outras habilidades. O músico Luiz Murá, por exemplo, está se dedicando a fazer pão e aprender os meandros do funcionamento da Bolsa de Valores. “Essa é uma oportunidade para aprender algo novo. Principalmente, das coisas que já tinha interesse.”

O compositor e produtor Marcelo Casa Nossa está aproveitando a quarentena para aprender a cozinhar. “Minha mulher e filhas ficam na supervisão, mas já estou me aprimorando. Fiz um capelete com alcaparras que ficou show”, festejou. “Quando fui fazer o molho, me criticaram, acharam que ia ficar muito doce. Depois, ficaram lambendo os beiços de tão bom.”

Adquirir habilidades culinárias parece ser um dos grandes objetivos durante a quarentena. Assim como o compositor, a publicitária Natália Tonello está redescobrindo a cozinha. “Com essa mudança de rotina, a gente começa a olhar para as nossas casas com outros olhos. Minha rotina era um café da manhã rápido, almoçar na rua e uma coisa qualquer à noite. Na quarentena, tive que mudar”, contou.

Natália percebeu que estava pedindo muito delivery e decidiu começar a cozinhar com o namorado. “No começo, era só saladinha e grelhado. Depois, quando a Rita Lobo liberou o conteúdo dela online, já tenho feito coisas mais complexas, como um risoto com gorgonzola”, confidencia. “Acredito que comida é uma coisa afetiva. Quando tudo isso passar, quero poder cozinhar para a família e os amigos.”

Assim, da mesma forma, chefs de cozinha profissionais estão tentando aprender outra habilidade. No caso do chef Sidnei Coelho, a opção foi por um curso online de fotografia. “Sempre gostei de fotografia, mas resolvi aprender porque posso me especializar em fotografar pratos de comida e, consequentemente, ajudar na divulgação do meu trabalho”, observou.

Procurar cursos para se aprimorar na própria área parece ser o mais comum. João Gabriel Santos Souza Reis, por exemplo, é um empreendedor no ramo de perfumes. “Por ter uma loja online, estou fazendo cursos de como aumentar o meu alcance nas redes sociais, como conquistar mais seguidores e, principalmente, como vender pela internet”, disse. Já a especialista em marketing Heloísa Santi está aproveitando o isolamento social para preencher uma lacuna que ela mesma identificou. “Faço cursos para melhorar minha liderança em equipes de trabalho e autoconhecimento.”

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