Curitiba vira palco para 230 peças

Embora a abertura oficial aconteça hoje à noite, no Teatro Guaíra, com uma apresentação para convidados da Orquestra Sinfônica do Paraná, começa amanhã a programação do Festival de Teatro de Curitiba. Até o dia 26, cerca de 230 peças vão ocupar 45 diferentes espaços culturais da cidade, 27 delas com apresentações gratuitas e ao ar livre. Desde 1998, o festival tem uma mostra paralela - o Fringe - e uma oficial. Nesta 15ª edição do festival, 19 espetáculos integram a mostra principal, sete deles produções paulistanas. Hércules, montagem com 26 atores, criação conjunta dos grupos Parlapatões e Pia Fraus, estréia no evento e promete causar sensação: o palco será a Pedreira Paulo Leminski onde será instalada uma cenografia monumental. Para se ter idéia do impacto visual esperado, entre os ´elementos de cena´ está uma carreta de 13 metros. Na mesma linguagem circense, um outro espetáculo paulistano, O Auto do Circo, não faz exatamente uma estréia em Curitiba, mas é quase como se fosse. Bonito, comovente, vibrante, essa criação da Cia. Estável, dirigida por Renata Zhaneta, fez temporada no Teatro Flávio Império, em Cangaíba. Nesse caso, a dimensão da metrópole e a juventude dos atores - todos na faixa dos 20 anos, portanto sem projeção que servisse de apelo para que o espectador se deslocasse até esse bairro distante do centro - foram fatores que contribuíram para que a montagem não tenha repercutido. Na Ópera de Arame, o Auto do Circo abre a programaçãoPois o Auto do Circo abre amanhã a programação da mostra oficial ao ocupar o espaço tradicionalmente usado para a abertura: o Ópera de Arame, um teatro com muitos problemas de acústica. "O espaço foi sonorizado adequadamente, com microfones pendurados no teto e nas laterais e acho que vai dar tudo certo", diz Zhaneta. "Tomara, porque esse elenco merece; posso falar sem susto, não faço parto do grupo, sou diretora convidada. Eles são muito talentosos, muito sérios, o espetáculo está redondinho, tem frescor, e eles muito entusiasmados." No dia 4 de abril, finalmente, o Auto do Circo inicia temporada no Centro Cultural São Paulo. É torcer para que o temporal que insiste em cair na noite de estréia não estrague a festa. Há também muitos monólogos na mostra oficial, mas, desta vez, não se pode dizer que os custos foram a principal motivação para tal escolha. É evidente que a qualidade provocou o convite a solos como Sonho de um Homem Ridículo, baseado em conto homônimo de Dostoievski, com o ator Celso Frateschi, e A Descoberta das Américas, texto de Dario Fo interpretado pelo ator Júlio Adrião que tem na bagagem elogios rasgados de intelectuais e artistas cariocas. Como costuma acontecer, os bons espetáculos da mostra acabam fazendo temporada em São Paulo, mais cedo ou mais tarde. Uma das boas montagens desta 15ª edição, Molly Sweeney estréia nesta sexta em São Paulo, antes ainda de sua participação no evento. Outra delas, Um Homem É um Homem, peça de Brecht encenada pelo Grupo Galpão sob direção de Paulo José, estréia no dia 24, no Sesc Consolação. Chama atenção, na mostra oficial, a concentração dos espetáculos nas regiões Sul e Sudeste. Não é muito diferente no Fringe, no qual as peças de outras regiões não atingem 10% do total. Falta uma curadoria mais ampla? "Renovamos a curadoria, buscamos ampliar isso, mas não foi possível. Claro que fica sempre uma sensação de falta, mas acho que o festival reflete um problema do País."

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