Curitiba abre festival com recorde de peças

Na primeira edição do Festival de Teatro de Curitiba, em 1992, foi apresentado um total de 14 espetáculos para um público de 25 mil espectadores. Bem estruturado, com boa estratégia de divulgação, o evento repercutiu e, ao longo do tempo, ganhou importância no calendário cultural nacional. Em sua 12.ª edição, que tem início hoje e só termina no dia 30, os organizadores do evento divulgam o número recorde de 187 peças - 18 na mostra oficial, 2 na infantil, 156 na paralela, o Fringe, e 11 na mostra metropolitana, criada nesta edição, que levará espetáculos às regiões periféricas da cidade. E esperam um público de cerca de 100 mil espectadores.Mais uma vez o Ópera de Arame - um teatro construído sobre um espelho d´água, em estrutura metálica vazada - abrigará o espetáculo de abertura, o divertido e inteligente Auto da Paixão e da Alegria, da Cia. de Artes e Malas-Artes. O grupo de atores paulistanos promete lutar com garra para superar os problemas acústicos do ópera, cuja exuberância arquitetônica costuma ainda "disputar" com os atores a atenção do espectador. Com sete indicações para os prêmios Panamco e Shell, o espetáculo tem tudo para propiciar uma boa largada à maratona teatral que tomará conta da cidade durante dez dias.A expansão numérica e geográfica é um dos efeitos do tempo, talvez o mais visível, sobre o evento. Mas há outros. A começar pelo espetáculo de abertura, a quantidade de estréias na mostra oficial vem diminuindo. Troca-se o risco, pelo já testado. Se por um lado pode haver um ganho de qualidade, por outro perde-se em capacidade de surpreender. Segundo o diretor do evento, Victor Aronis, a mudança ocorre pelo desejo dos curadores."Estrear no festival significa estrear para uma platéia de críticos e jornalistas especializados que não fazem outra coisa na vida senão ver teatro e, portanto, com um senso crítico muito aguçado", comenta Aronis. "Claro que uma boa estréia em Curitiba pode garantir projeção nacional e boas temporadas aos espetáculos. Mas se der errado... Muitas companhias não querem correr o risco." O diretor aponta ainda a incerteza no cenário político no fim do ano passado como entrave para a atuação dos patrocinadores, o que também teria afetado a quantidade de estréias. "Acho que os reflexos se farão sentir no primeiro semestre deste ano."O Fringe, a mostra paralela, também vem sofrendo transformações. Quando surgiu, em 1997, havia 40 peças no Fringe. Nenhuma se destacou especialmente. Ano passado, Hysteria e Camaradas, espetáculos apresentados por grupos de São Paulo e Blumenau, respectivamente, estiveram entre os melhores do evento e foram pérolas pescadas no Fringe. Como não há curadoria nessa mostra - desde que o grupo pague a taxa de participação cobrada pelo evento, as restrições são unicamente de adaptação aos espaços -, o panorama é extremamente irregular. Neste ano, por exemplo, há desde peças como O Homem Que não Dava Seta, dirigido por Chico Pelúcio do Grupo Galpão, com dramaturgia de Luiz Alberto de Abreu, até espetáculos criados por grupos semi-amadores, aliás, a grande maioria. "Tem boas companhias preferindo o Fringe por envolver um risco menor", acredita Aronis. É torcer para que o Fringe realmente surpreenda os corajosos espectadores dispostos a correr riscos.

Agencia Estado,

20 de março de 2003 | 16h29

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