Curadoria faz mea culpa e premia a nova geração

Bienal mostra inclinação pela arte política e realista, o que fica patente com a premiação de Edson Chagas e Tino Sehgal

O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2013 | 02h05

O júri da 55.ª Bienal Internacional de Veneza concedeu o Leão de Ouro ao Pavilhão de Angola por sua participação na mostra italiana com a obra Found not Taken, do artista Edson Chagas. Talvez seja um mea culpa da curadoria da bienal italiana, ao premiar um jovem artista, que ainda não chegou aos 40 anos (ele tem 37), e conceder o Leão de Ouro de melhor artista a Tino Sehgal, nascido em Londres há 37 anos.

O Leão de Prata, dado a uma jovem parisiense, de 35 anos, Camille Henrot, também vai na mesma linha, o que pode ser tanto uma resposta aos críticos italianos, que condenaram o conservadorismo da mostra, como a afirmação de que a curadoria está, sim, sintonizada com a nova geração.

Foram concedidas ainda menções honrosas: uma para a americana Sharon Hayes, de 43 anos, e outra para o italiano Roberto Cuoghi, de 50 anos. Três pavilhões nacionais receberam ainda menções especiais: Chipre, Lituânia e Japão.

Como o Caderno 2 anunciou antes da abertura da mostra italiana - marcada pela intervenção da polícia, que não gostou da obra do chinês Yuan Gong -, esta Bienal mostra inclinação pela arte política e realista, o que fica patente com a premiação de Edson Chagas e Tino Sehgal. Chagas é fotojornalista de formação. Nasceu em Luanda, estudou em Londres e voltou para a terra natal, dedicando-se a explorar temas sociais e criticar o consumismo. Suas fotos registram as coisas ordinárias.

Já o inglês Tino Sehgal trabalha sobre o que chama de "situações construídas". Fez, por exemplo, um guarda de museu tirar a roupa em 2002 (a performance Selling Out) e uma criança servir de monitora numa exposição de arte um ano depois. Essas performances não são gravadas ou documentadas, só existem no momento em que são realizadas. Este ano, em Veneza, ele fez um casal de diferentes gerações dançar.

E o jovem chinês Yuan Gong, cujos trabalhos lidam com fumaça, quase dançou de fato nas mãos da polícia italiana, que não gostou de suas geringonças de aparência ameaçadora colocadas aos pés dos visitantes do Arsenal, um dos locais da mostra italiana. Os policiais obrigaram o artista a desligar as bizarras obras de arte improvisadas. Ele não conseguiu muito público, mas seu conterrâneo Ai Wei Wei, a voz oficial da oposição na China, atraiu centenas de curiosos para suas mostras. / A.G.F.

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