Curadores prometem Bienal "política e crítica"

A 27.ª Bienal de São Paulo já vai começar em janeiro como diz sua curadora, Lisette Lagnado. A próxima edição da grande mostra de arte, considerada uma das maiores do mundo, será efetivamente inaugurada para o público em outubro de 2006, mas já no início do ano a equipe curatorial começa a ministrar uma série de seminários que funcionarão como discussões sobre o projeto da mostra. Antes de ficar pronta, a exposição será debatida como parte de sua construção. Hoje, o presidente da Fundação Bienal de São Paulo, Manoel Pires da Costa, apresentou oficialmente para a imprensa a equipe de curadores da 27.ª edição. Lisette Lagnado, que assina a curadoria geral, foi escolhida por meio de um concurso pela primeira vez promovido pela instituição. Mas, como ela afirma, "a curadoria não pode ser de uma única cabeça", e, por isso, Lisette diz que a mostra será assinada, coletivamente, por ela e pelos quatro co-curadores que escolheu: a espanhola Rosa Martínez (co-curadora, também, desta atual 51.ª Bienal de Veneza); o colombiano José Roca e os brasileiros Cristina Freire e Adriano Pedrosa. Também foi apresentada a arquiteta responsável pela montagem da mostra: Marta Bogéa. Desde segunda-feira o grupo está reunido em São Paulo para delimitar os primeiros passos do projeto curatorial, o de uma Bienal que será "política e crítica". E um dos primeiros passos da empreitada é a realização dos seminários, cada um deles formado por três mesas-redondas e seguido de publicação. O primeiro, marcado para ocorrer no fim de janeiro e comandado por Johen Volz (convidado), terá como tema o pensamento de crítica institucional do artista belga Marcel Broodthaers (1924-1976), que terá um dos sete "blocos" da mostra, por enquanto intitulada Blocos Sem Fronteiras.Os próximos seminários ocorrerão em abril, junho, agosto, outubro, novembro e dezembro e cada um deles, a ser coordenado por um dos curadores, terá como tema um dos blocos da exposição. Lisette Lagnado diz que ainda não sabe se a participação nos seminários será paga - e Pires da Costa já defendeu que a entrada para a mostra será gratuita, como na edição anterior. Outra parte da programação pré-mostra será o programa de residência para artistas - para cinco brasileiros e cinco estrangeiros. Ainda é muito cedo para saber os termos de orçamento para a concretização da "ambiciosa" 27.ª Bienal e como serão viabilizadas todas essas iniciativas - muitas dependerão de parcerias. Além disso, Lisette e sua equipe defendem o fim das chamadas representações nacionais (artistas escolhidos pelas representações diplomáticas dos países). "O British Council e as embaixadas alemã, francesa, espanhola e dos EUA quiseram saber o porquê do fim das representações nacionais. O que quero é o fim da figura do curador intermediário de cada país e das hierarquias. Estamos fazendo um trabalho de sugerir às representações dos países entre cinco a seis artistas que tenham pertinência com o projeto curatorial e os consultores de cada país nos dizem quais interessam a eles trazer para a mostra", afirma Lisette. O fim das representações nacionais vai influir no orçamento? "Os países vão acabar dando dinheiro, mas talvez menos. Já disse que faço tanto uma Bienal com R$ 5 milhões quanto com R$ 20 milhões", diz Lisette.

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