Veridiana Aleixo/Divulgação
Veridiana Aleixo/Divulgação

Curador fala sobre novidades do 11º Festival de Arte de Serrinha

Parque de Instalações a céu aberto é novidade em 2012; evento celebra a 'possibilidade da diferença'

LAURO LISBOA GARCIA , ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

06 Julho 2012 | 03h09

Com o tema Muitos Irmãos, celebrando "a possibilidade da diferença", o cenógrafo e artista plástico Fabio Delduque realiza a partir de amanhã a 11.ª edição do Festival de Arte Serrinha, em Bragança Paulista, que une diversas modalidades artísticas - música, cinema, fotografia, gastronomia, artes visuais - em oficinas, performances, encontros e shows musicais em vários ambientes. Uma das novidades deste ano é a criação do Parque de Instalações a céu aberto. Outra é o Teatro Rural, que será inaugurado no último dia do festival. "São muitas frentes", diz o artista e curador.

A fazenda já tem várias obras de artistas que são resultados de oficinas realizadas nas edições anteriores do festival. Elas estarão juntas no Parque de Instalações. Como será esse parque?

A ideia é que sejam todas peças criadas para o espaço. Existem alguns projetos que já estão até bem desenhados. Dudi Maia Rosa quer fazer duas torres espelhadas. Rochelle Costi quer fazer umas escadas em espiral, Carlos Fajardo quer fazer um trabalho com tijolos. A única obra pronta que a gente levaria para lá seria uma de Frans Krajcberg, mas dependeria de uma doação dele. Estou querendo procurá-lo para mostrar o projeto. Obviamente não temos como adquirir uma obra dele de galeria, mas acredito que ele seja sensível a um projeto como esse.

Por falar em sensibilidade, todo ano é uma batalha conseguir apoio e patrocínio para o festival, que tem procurado unir arte e educação. Este ano você conseguiu maior participação do governo do Estado, por exemplo?

Durante a negociação do festival deste ano tive um monte de reuniões com as Secretarias Estaduais de Cultura e Educação e entendi que tem uma possibilidade incrível de integração. Temos também apoio das secretarias municipais de Bragança. A gente este ano tem um programa de bolsas focado nos professores da rede pública, que são um dos públicos alvos do projeto para o ano que vem. A ideia é ter na Serrinha uma atividade que seja anual, que seja mais concentrada no festival, mas que tenha o ano todo. Existem diversas possibilidades que estamos negociando, dentre elas a Unesp, via Zé Espanhol, Agnus e Sérgio Romagnolo, que são professores artistas. A ideia é que os cursos de extensão universitária possam fazer residência na Serrinha algumas vezes por ano. Vamos fazer uma experiência agora no segundo semestre. Outro ponto é a criação de cursos para formação de professores, que a gente está articulando com as Secretarias de Cultura e Educação. A gente teria um projeto pedagógico criado a partir das obras existentes na Serrinha e outras que virão.

Como é o Teatro Rural? O que está previsto na programação?

O teatro é de madeira e terá um palco que abre para a floresta de eucalipto. Então é tipo um Auditório do Ibirapuera, só que no meio do mato. A inauguração vai ser no último dia do festival. Em dezembro já vamos ter um festival de música instrumental, que terá Yamandú Costa, Trio Curupira e Bocato, entre outros. No ano que vem vai ter uma programação direta de teatro e show mais intimistas e também vai abrir para oficinas durante o festival todo. A capacidade é para 200 pessoas.

A ideia de intercâmbio entre as várias artes é uma das qualidades do festival, como você vê outros festivais pelo Brasil?

Nessa peregrinação anual pelos festivais aprendo muita coisa, mas percebo também que há pouca troca. Participei da última Bienal de São Paulo e conheci no máximo o cara que estava montando a obra do lado da minha. Não existe muito intercâmbio que é o que move o Festival de Arte Serrinha. A ideia também é levar o resultado dos trabalhos na Serrinha para fora. De 30 de agosto a 4 de setembro vai ter uma exposição no Paço das Artes em São Paulo.

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