Cunha Lima disputa sozinho presidência da TV Cultura

O ex-secretário de Cultura de São Paulo, Marcos Mendonça, não formalizou sua candidatura à presidência da Fundação Padre Anchieta (TV Cultura). Mendonça tinha até segunda-feira, às 18 horas, para apresentar oficialmente sua postulação ao conselho da fundação. O atual presidente, Jorge da Cunha Lima, reapresentou-se como candidato para a eleição, que será realizada no dia 19. A desistência de Mendonça foi uma surpresa mesmo para o governo estadual, que até a segunda à noite contava com sua participação para tirar Cunha Lima da presidência, que exerce há 9 anos. E mesmo alguns conselheiros já manifestavam publicamente seu desconforto com a atual gestão.Mendonça divulgou nota na qual explica que deixou de inscrever seu nome atendendo a "apelos" de conselheiros da fundação para que se evitasse "uma disputa inédita" na instituição. Em entrevista à Rádio CBN, o atual presidente da fundação, Jorge da Cunha Lima, afirmou que a desistência de Mendonça o surpreendeu e que a decisão conduzia a "uma negociação à qual nunca me furtei". "O mais importante é o destino da fundação", disse Cunha Lima, que viu uma ameaça à independência da TV Cultura na candidatura de Mendonça, apoiada pelo governador Geraldo Alckmin. "No momento em que ele retira a candidatura, terminam todas as pressões", comentou.Em artigo no Estado, publicado esta semana, um dos conselheiros da fundação, Ethevaldo Siqueira, pedia a saída de Cunha Lima como forma de renovação na TV Cultura. "Mesmo depois de 3 mandatos, Cunha Lima quer continuar no cargo e tentar fazer nos próximos 3 anos o que não conseguiu em 9", escreveu Siqueira.Agora, Cunha Lima deverá convencer 24 dos 40 conselheiros da fundação a aceitarem seu nome. Caso não consiga, deverá ser sugerida uma solução de consenso, com cargos da presidência e da direção-executiva sendo apresentados numa chapa única. O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão e Televisão no Estado de São Paulo planeja uma manifestação, no próximo dia 19, contra a reeleição de Jorge da Cunha Lima, um "candidato" que "os trabalhadores já conhecem e, é claro, gostariam de vê-lo bem longe da Fundação Padre Anchieta", dizia o comunicado do sindicato.

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