Cultura negra

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Novo portal traz imagens do movimento por direitos iguais nos últimos 30 anos

Roberta Pennafort, O Estadao de S.Paulo

25 de março de 2010 | 00h00

/ RIO

Até sábado, uma série de eventos (apresentações de vídeos, palestras, show) marca o lançamento, no Rio, do site www.cultne.com.br, que se autointitula "o maior acervo digital de cultura negra brasileira". O portal disponibiliza imagens da luta do movimento negro por direitos iguais nos últimos 30 anos, e convida internautas a enviar vídeos e a interagir com os que estão na rede. São registros de momentos importantes para os movimentos sociais, como a visita ao Rio, em 1987, do arcebispo sul-africano Desmond Tutu, Nobel da Paz por sua luta contra o apartheid. Anos depois, Nelson Mandela, liberto da prisão, também veio à cidade, e visitou o Sambódromo.

As comemorações do centenário da abolição da escravatura, em maio de 1988, foram bem documentadas. E também os shows no Renascença Clube, na zona norte do Rio, reduto de black music, e do Jongo da Serrinha, grupo que preserva e divulga a herança cultural africana.

As imagens, a maioria dos anos 80, são da produtora Enúgbarijo, aberta em 1981 com foco no movimento negro. Como não havia internet, elas eram projetadas em centros comunitários.

"A partir de 82, a gente filmou praticamente tudo ligado ao movimento negro no Rio. A ideia era criar um sistema comunitário de informação para os que tinham apenas o que vinha dos meios de comunicação oficiais. O negro só aparecia no carnaval ou na página policial", lembra Vik Birkbeck, fundadora da Enúgbarijo, com Ras Adauto. Assim como a produtora Cor da Pele, de Filó Filho e Carlos Alberto Medeiros, aberta em 1982, a Enúgbarijo manteve sua coleção de fitas VHS, e agora oferece as imagens a pesquisadores, estudantes e ao público em geral.

"É a realização de um sonho. As pessoas desconhecem o que aconteceu num passado recente. Muitos jovens sul-africanos não sabem o que foi o apartheid. No Brasil, a memória mais forte que se tem dos negros é a da escravidão, e não de sua grande contribuição cultural", diz Vik. Cineasta inglesa, ela está no Brasil há 34 anos. Logo ao chegar, ficou impressionada com o racismo no País, que tinha a fama de ser "a maior democracia racial do mundo", e se engajou.

Toda a programação do lançamento do site está em www.cultne.com.br.

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