Cultura já tem seus hits de fim de ano

O economista Claudio França, umhabitué da Livraria Cultura, andava pelos corredores em busca delançamentos. "Comprei a nova edição de Dom Quixote nasemana passada, agora estou procurando a autobiografia deGabriel García Márquez, Vivir para Contarla. Também ficoatento às obras nas prateleiras, pois ainda estou escolhendo oslivros para presentear neste Natal", diz. Assim como França,muitas pessoas migraram para as livrarias em busca de umpresente certeiro."O universo de uma livraria é amplo e diversificado,quem procurar com cuidado sempre encontrará algo que agrade - depublicações infantis aos livros técnicos. Creio que as pessoasainda não mergulharam nesse mundo, eu só o conheci depois quepassei a trabalhar aqui, há 20 anos", conta Cida Saldanha,subgerente da Livraria da Vila.Além dos livros, CDs e DVDs são as vedetes deste ano."Apesar da falta de lançamentos com grande apelo de público,como ocorreu no ano passado com a série do pequeno feiticeiroHarry Potter, a diversidade marca a produção livreira. Noentanto, o grande destaque fica por conta dos DVDs, umatecnologia atrativa para o público, fora uma série de títulosinteressantes", explica uma das diretoras da Fnac, MartineBirnbaum. "Observamos um crescimento muito grande nesse setor.Quanto aos CDs, a indústria fonográfica concentrou oslançamentos para este período", completa. Entre os destaques,de acordo com os rankings da Fnac, Saraiva e Cultura, estãoHomem Aranha, Monstros S.A., Star Wars 2 - A Guerrados Clones, A Era do Gelo e Tribalistas.No quesito música, estão nas paradas Shaman, deSantana, Acústico MTV, com Kid Abelha, Tribalistas, deCarlinhos Brown, Marisa Monte e Arnaldo Antunes e The Best of1990 - 2000, do U2. "Escolhi CDs para dar às crianças. Jácomprei Beatles for Babies, Os Saltimbancos e um comcontos japoneses, que não me lembro o título. Agora estou àprocura do Castelo Rá-Tim-Bum. Para os adultos opto peloslivros e, como dica, informo que gostaria de ganhar Quartetode Alexandria", brinca a atriz Justine Rotondo.O público leitor, apesar de eclético, de maneira geral,opta pelos famosos e velhos itens presentes nas listas dos maisvendidos. Obras como Harry Potter ainda vendem, e bem."Hoje, eu só vim aqui para acompanhar minha mãe, mas já ganheiantecipadamente os quatro volumes da série Harry Potter. Litodos os livros, só faltava tê-los", comenta o menino de 12anos Marcos Borges Moura Campos, ao lado de sua mãe, Doriana."Costumo freqüentar livrarias, procuro assuntos diferentes comopsicologia ou física quântica. Hoje estou levando um livro sobremedicina antroposófica", comenta a design e arquiteta.Karina Soares levou A Arte da Felicidade, dodalai-lama, para presentear sua amiga secreta. A estudante ThaísBalbino de Souza, a passeio na cidade, opta por EstaçãoCarandiru, de Drauzio Varella. "Sou de Ribeirão Preto, vimconhecer a livraria, não vou comprar presentes, estou semgrana." Sem presentes, mas empolgado com textos tibetanos, ofotógrafo Marcio Borges marca presença na Cultura. "Moro poraqui, por essa razão estou sempre atento aos lançamentos. Vouaproveitar as férias para ler Morte e Vida ao Tibet."Seu Creysson, Vidia e Obria, do Casseta e Planeta,ou Corinthians, É Preto no Branco, do publicitárioWashington Olivetto engrossam as listas. Textos que retratam ahistória recente também atraem leitores, como é o caso deTempos Interessantes, livro de memórias de Eric Hobsbawm, eA Ditadura Envergonhada e A Ditadura Escancarada, deElio Gaspari.O jornalista Raul Bastos costuma freqüentar diferenteslivrarias, "as instaladas em shoppings e aeroportos são muitoruins". Leitor de Scott Fitzgerald, Bastos optou pelos livrosna hora de presentear. "Estou à procura de Desenhando o LadoDireito do Cérebro, para o meu filho. Também considero oGaspari excepcional. Compro livros que complementam minhaformação e, aos 60 anos, cheguei ao ponto que devo reler asgrandes obras."A professora Maria Auxiliadora Albergaria decidiupresentear os filhos, professores de história, com TemposInteressantes e algum livro sobre Canudos. "Opto pelos livros, não gosto de dar CDs." De acordo com a subgerente da Livrariada Vila, Cida Saldanha, livros de autores conhecidos têm boaaceitação por parte dos consumidores. "As pessoas ficam atentasàquilo que é publicado em jornais e revistas, quando possuemreferências de um autor, e sentem curiosidade de saber o que hána nova obra."A mesma regra vale para os livros infantis einfanto-juvenis. "Pretendo comprar os clássicos juvenis deautores consagrados que escreveram para os mais jovens, como oConto de Escola, de Machado de Assis", declara MariaAuxiliadora Albergaria. Autoras como Ana Maria Machado, TatianaBelinky e Ruth Rocha sempre são lembradas na hora da compra,como informa Cida. "As autoras mais conhecidas vendem bem. Ascoleções merecem destaque. As crianças querem a seqüência doslivros, como as histórias de Bruxa Onilda, embora haja espaçopara novos autores, como Adriana Falcão, um sucesso devendas."E ainda afirma: "Nossos clientes buscam uma formaçãosólida para seus filhos, temos obras diversas, que ensinam ascrianças brincando. Há 30 anos as crianças aprendiam por meio deenciclopédias, hoje, elas aprendem história da música, porexemplo, a partir da infância dos principais compositores. Omercado é amplo." A professora universitária Lucília Borsariconta que costuma dar muitos livros para crianças de todas asidades. "Busco assuntos variados, além dos clássicos, observo aapresentação dos livros, leio as histórias para depois escolhere comprar."Mercado - Os livreiros estão animados com as vendasdeste Natal. De acordo com Martine, da Fnac, houve um aumento de15% a 20%, comparado com o ano passado. "A atração está porconta dos mais vendidos. Observo que, neste fim de ano, aspessoas buscam produtos mais baratos. Aqueles mais caros - nogeral, os importados - sofreram uma queda nas vendas por contada alta do dólar. De qualquer maneira, houve um crescimento donúmero de compradores nas lojas", observa Pedro Herz, diretorda Livraria Cultura.Para Herz, o mercado cresce lentamente a cada ano."Subimos degrau por degrau. Não posso apontar a origem dessecrescimento, porém creio que seja salutar pensar que há umnúmero maior de leitores, que conquistamos de maneira gradual."Pelas expectativas das livrarias, 2003 será um ano bom. "Aconfiança da Fnac permanece e estamos muito otimistas.Pretendemos abrir duas lojas, até o final do ano, em grandescapitais do País", afirma Martine.A Livraria Cultura abrirá uma loja em Porto Alegre, cominauguração prevista para março. A proposta é instalar umalivraria a cada ano, nos próximos cinco anos. "Temos boaspropostas, do Nordeste ao Sul, mas ainda estamos avaliando. Dequalquer maneira, creio que esse é um bom momento para o livro,mesmo estando em tempos de crise. As pessoas saem menos, ficamem casa, estudam, se aprimoram. Pode-se dizer que as crises sãobenéficas para o setor de livros", comenta Herz. Para quem ficar em São Paulo na última semana do ano, do dia 26 até 31, poderá usufruir a liquidação anual da Livraria da Vila. Todos os produtos da loja ganham desconto de 20%.

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