Cultura investe em jovens com "Ilha Rá-Tim-Bum"

O jeito discreto e a voz calma do escritor e diretor Flavio de Souza, de 46 anos, escondem umamente irrequieta, de onde saíram produções bem-sucedidas na televisão brasileira, como a ´dobradinha´ "Rá-Tim-Bum e Castelo Rá-Tim-Bum", exibida pela TV Cultura. Este ano, ele confere àsérie "Rá-Tim-Bum" a condição de trilogia, com o lançamento do infanto-juvenil "Ilha Rá-Tim-Bum", que deve estrear em breve na programação da Cultura."O Ilha é um projeto bem autoral, porque eu o escrevi sozinho. Nos outros dois seriados, participei como co-autor", ressalta Flavio. Durante um ano e meio, ele esteve debruçadosobre o novo trabalho, mesclando criatividade com referências literárias e filosóficas. Bertrand Russel e seu "O Elogio ao Ócio" e "História das Invenções e Descobertas", de Isaac Asimov, são alguns exemplos.Adolescentes - Desta vez, seu público-alvo não serão propriamente as crianças, com as quais o autor está habituado a "dialogar". O programa tem a missão de prender os pré-adolescentes, na faixa etária dos 10 aos 12 anos, diante da TV. Ao longo de 52 episódios, com 30 minutos cada, o telespectador acompanhará as desventuras de cinco jovens, entre 7 e 17 anos. Um belo dia, eles decidem passear de lancha, mas são pegos por uma tempestade enviada pelo maléfico Nefasto. O grande vilão da história, Nefasto (interpretado de forma assustadora, no bom sentido, pelo ator Ernani Moraes) conduz o grupo até uma ilha desconhecida. Seu plano diabólico:usá-los num estudo sobre como levar a humanidade àautodestruição. Lá, ao mesmo tempo que terão de se defender das maldades do vilão, os personagens juvenis exercitarão a difícil arte de conviver em grupo. Solidariedade e preservação do meio ambiente também permearão a trama.Armadilhas - Flavio de Souza admite que um de seus principais desafios foi abordar tudo isso sem cair na armadilha de transformar o programa numa sala de aula. "Depois de voltar da escola, nosso público não quer mais assistir às aulas. Euqueria fazer um seriado de aventura, com suspense e ação, que tivesse humor e falasse sobre meio ambiente", descreve o autor. "A garotada tem o controle remoto na mão e, em um segundo, mudade canal e não volta mais."Com ares de superprodução - pelo menos, para os padrões de uma emissora estatal e educativa como a TV Cultura -, "Ilha Rá-Tim-Bum" combina tomadas externas, captadas em Angra dos Reis, Ubatuba, Caucaia do Alto e Serra da Cantareira, egravações em estúdio. Pelas locações, desfilarão cerca de 20 personagens, incluindo figuras pitorescas, como a aranha gigante Nhãnhãnhã, e a divertida família formada pelo pai Coiso, pelamãe Coisa e pelo filho Coisinha.Para compor o elenco adulto, foram selecionados atores experientes, como Ernani Moraes, Keila Bueno, Angela Dip e Henrique Stroeter - estes dois últimos são os únicos que participaram de toda trilogia "Rá-Tim-Bum". Já o núcleo juvenil privilegia cinco estreantes, que disputaram uma vaga com outros 800 jovens. "Eu descrevia para as agências o perfil dos personagens e elas davam opções. Tive por base o que o autor queria", conta a diretora do Ilha, Maísa Zakzuk. "O que eu acho maravilhoso é que crianças inexperientes não têm vícios."

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