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Cultura elege novo presidente hoje

Marcos Mendonça, que já comandou a Fundação Padre Anchieta, é candidato único à cadeira de João Sayad

Cristina Padiglione, O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2013 | 02h06

O Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta (FPA) se reúne hoje para eleger o presidente da fundação mantenedora da TV Cultura pelos próximos três anos. Marcos Mendonça, que já foi presidente da FPA de 2004 a 2007, pretende voltar ao posto, ocupado nos últimos três anos por João Sayad. Para se eleger, Mendonça precisa de ao menos 24 votos de um total de 47 conselheiros. Se não obtiver a votação mínima, uma nova eleição será convocada.

Secretário estadual de Cultura de São Paulo entre 1995 e 2002, Mendonça se submeteu, há duas semanas, a uma sabatina pelos membros do conselho, ao lado do ex-secretário de municipal de Cultura, Carlos Augusto Calil, postulante ao cargo de candidato. Como Calil não obteve as oito indicações mínimas do conselho para formalizar sua candidatura, Mendonça permaneceu candidato único, como de praxe ocorre no processo eleitoral ao cargo. Sayad fica no posto até 14 de junho.

Encabeçada pela TV Cultura, a Fundação Padre Anchieta inclui ainda as rádios Cultura AM e Cultura FM, o canal infantil pago TV Rá-Tim-Bum e os canais TV Univesp e Multicultura, ambos acessados pelo espectro digital, em sinal aberto.

Em um cenário que aponta queda de audiência para a maioria dos canais abertos, a Cultura segue numa louvável contramão. Fechou o primeiro quadrimestre de 2013 com 20% de crescimento em relação ao ano de 2012 - foi de 1 ponto para 1,2 ponto (cada ponto equivale a 62 mil domicílios). E, ainda que não faça do ibope o seu mantra, de nada adianta promover um bom espetáculo se a plateia estiver vazia.

Sayad deixa a FPA com 1,146 milhão de déficit no balanço de 2012. O caixa de 2013 prevê que faltarão R$ 20 milhões para a conta fechar. É nesse ponto que Marcos Mendonça se apega para defender sua candidatura. "Tive superávit durante os três anos em que administrei a fundação", diz. Na sexta-feira, ele conversou com o Estado.

O senhor pretende fazer mudanças no sistema comercial hoje vigente na TV Cultura?

O ideal seria buscar anúncios institucionais, ou que tivessem mais a cara da televisão. Queremos mostrar aos anunciantes que eles vão ter inclusive melhores resultados.

Mas a Cultura enfrenta a concorrência com o BV (Bônus sobre Valor investido em publicidade) que os canais comerciais pagam às agências publicitárias. Como atrair anunciantes sem isso?

Eu, quando estava à frente da televisão, consegui, por três anos, superávit, porque eu fazia um relacionamento direto com os diretores das empresas. Eu levei lá pra visitar o presidente da Fiat, da Nestlé, do Bradesco, de tal maneira que eles dissessem às suas agências: 'faz uma fatia da publicidade pra TV Cultura'. Isso eu pretendo retomar. Outra coisa que não tenho visto são anúncios tanto do Estado quanto do governo federa, que faz uma distribuição de anúncios por audiência. Nessa distribuição, a Cultura pode postular sua parte.

Então o senhor tem assistido à Cultura. O que tem achado?

A programação está com muito produto estrangeiro, precisamos rever. A Mostra Internacional de Cinema é importante, mas estão passando o mesmo filme duas vezes por semana - uma dublada, outra, legendada. A Cultura é uma televisão aberta e tem de atingir o maior número de pessoas, a maioria das pessoas tem televisão pequena, não TV grande, que permite leitura de legendas. Não tem muito sentido entrar com filme legendado na TV Cultura. Quero fazer uma televisão que fale com o público da classe C e D, que não tem TV a cabo.

MARCOS MENDONÇA

CANDIDATO À PRESIDÊNCIA DA FPA

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