Cultura Artística faz 100 anos e desenha novo teatro

Na esquina da rua Nestor Pestana, já não existe a antiga boate. E, do terreno vazio, é possível vislumbrar detalhes do painel de Di Cavalcanti, ainda encoberto por uma proteção plástica na fachada do antigo Teatro Cultura Artística. Ali ao lado, funcionários dão os últimos retoques na recém-reformada Praça Roosevelt. O cenário é de transformação, que está apenas começando - e no qual a Sociedade de Cultura Artística quer ter papel protagonista.

AE, Agência Estado

27 de setembro de 2012 | 10h25

A entidade completa em 2012 o seu centenário. Na fachada do teatro, um mural conta a sua história. Nele, a primeira imagem é a do grupo de artistas, jornalistas e intelectuais que, no início de 1912, assinaram, na redação do jornal O Estado de S. Paulo, o termo de fundação da entidade, com o objetivo de "promover a popularização das obras de arte e literatura nacionais, pelo meio imediato de conferências públicas acompanhadas de concertos musicais" - e a última é uma foto aérea, mostrando o que restou do teatro após o incêndio de 2008.

A criação da Sociedade de Cultura Artística é anterior ao prédio desenhado por Rino Levi e Roberto Cerqueira César, inaugurado em março de 1950. Mas, no momento do aniversário da entidade, é justamente em torno do novo teatro que a Cultura Artística começa a esboçar os planos para seu futuro. "Não se trata apenas de uma nova casa, é uma nova proposta que nasce", diz Pedro Herz, presidente da entidade. "Ter uma nova casa, na maneira como a imaginamos, abre o leque de possibilidades de espetáculos que podemos oferecer, além, claro, de, nesta nova fase, estarmos trabalhando o diálogo com a Praça Roosevelt, pensando no estabelecimento de um enorme centro cultural, um Roosevelt Center", brinca, fazendo alusão ao Lincoln Center, que reúne teatros na região central de Manhattan, em Nova York.

O espaço aberto pela demolição da boate Kilt, desapropriada pela Prefeitura no ano passado, levou a alterações no projeto do novo teatro. De um lado, como diz Herz, está a possibilidade surgida de maior diálogo com a praça. Significativas, porém, também foram as alterações feitas pelo arquiteto Paulo Bruna, que está no processo de finalização da quarta - e, espera-se, definitiva - versão do teatro, agora podendo lidar com alguns problemas constatados na antiga construção.

Bruna, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, foi diretor do escritório Rino Levi Arquitetos Associados de 1972 a 1991. Conversando com a reportagem, ele conta que os laudos comprovaram que o foyer do térreo e o do primeiro andar resistiram bem ao incêndio de 2008. E, por conta disso, o desenho do novo teatro procurou "incorporá-los, de forma criativa", ao desenho atual, assim como o painel de Di Cavalcanti, cujo processo de restauração já foi terminado. Ao mesmo tempo, porém, o espaço aberto pela demolição da Kilt permitiu alterações na estrutura e posição do palco, pequeno na antiga formatação, e da plateia, que será menos "espalhada" e terá capacidade para 1.200 pessoas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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