Cuba restaura casa de Ernest Hemingway em Havana

Cuba tirou o pó dos livros, discos e cabeças de veado de Ernest Hemingway, limpou sua piscina e arrancou o mato que recobria os túmulos de seus cães, esperando com isso atrair mais visitantes à residência situada no alto de um morro com vista para Havana.Mas a restauração da casa do escritor americano e de tudo o que ela contém, incluindo garrafas de rum mofadas, um morcego em conserva e a máquina de escrever que ele usou para escrever O Velho e o Mar, pode levar mais dois anos para ser concluída."Prevejo sua conclusão talvez para o fim de 2009", disse Ada Rosa Alfonso, diretora da Finca Vigia, nome da casa colonial convertida em museu, onde Hemingway viveu entre 1939 e 1961.A viúva do escritor, Mary Welsh, entregou o imóvel ao governo cubano depois de Hemingway cometer suicídio, em 1961, e boa parte dela permanece exatamente como Hemingway a deixou.Os trabalhos para restaurar a casa, devastada por cupins e pelo efeito de anos de umidade, foram iniciados em 2005, quando o Fundo Nacional de Preservação Histórica dos EUA a incluiu numa lista de sítios em risco.O fundo enviou especialistas em restauração a Cuba, mas o embargo comercial americano impede que o fundo e outros grupos enviem materiais ou recursos para ajudar no trabalho.A restauração, incluindo os trabalhos no Pilar, o barco pesqueiro de 12 metros que Hemingway usava para pescar marlins e rastrear submarinos alemães, está prevista para custar no mínimo US$ 1 milhão.Rum e Glenn MillerUm olhar pela janela da casa remete a um mundo esquecido em que escritores e estrelas de cinema dos anos 1950 tomavam coquetéis de rum ao som de discos riscados de Glenn Miller.O escritor premiado com o Nobel recebia inúmeros amigos glamourosos no local, incluindo a atriz Ava Gardner, que nadou nua em sua piscina cercada de árvores. E ele fez amizade com moradores locais, criando um vínculo que sobreviveu à amarga divisão entre Cuba e os Estados Unidos."Aprendi a nadar nesta piscina", conta Antonio Elizondo, 67, que era filho do motorista de Hemingway e por isso conheceu astros como Errol Flynn e Spencer Tracy.Hemingway viajou aos EUA em 1960 e ficou arrasado quando a invasão americana da Baía dos Porcos, em 1961, o impediu de retornar.

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