Cuba comemora publicidade feita por documentário de Michael Moore

'Sicko' mostra o sistema gratuito de saúde do país com o objetivo de criticar os EUA

Anthony Boadle , REUTERS

07 de julho de 2016 | 20h54

O novo documentário de Michael Moore, Sicko, representa a maior publicidade para o sistema gratuito de saúde em Cuba desde a revolução de 1959, disse na segunda-feira, 16, um médico cubano que serviu de anfitrião ao cineasta.Moore levou em março a Cuba, para realizar tratamento gratuito, oito norte-americanos que adoeceram depois de se voluntariarem para os trabalhos de resgate nos atentados de 11 de setembro de 2001.O objetivo do diretor era provar que um país pobre como Cuba é mais eficiente que os Estados Unidos no atendimento médico à população. A tese do polêmico filme, que estreou em junho nos EUA, é de que o sistema norte-americano é voltado para o lucro e deixa milhões de cidadãos desprotegidos."Michael Moore despertou mais interesse por nosso sistema de saúde do que os mais de 40 anos em que estamos fornecendo saúde à nossa gente", disse à Reuters o médico Jaime Davis, que ofereceu exames e tratamento grátis ao grupo levado por Moore.Durante dez dias na ilha, os pacientes norte-americanos foram tratados contra problemas respiratórios contraídos pela respiração de poeira nas ruínas do World Trade Center. Alguns também receberam tratamento de problemas dentários e digestivos, segundo Davis. O próprio Moore teve sua pressão arterial medida.Parando em uma farmácia, um membro do grupo comprou um refil do seu inalador por um peso cubano (menos de 3 centavos de real), um valor fortemente subsidiado."Dê mil para mim", brincou Moore para o atendente, contando que o mesmo medicamento nos EUA custaria 50 dólares, segundo Davis.Esse cirurgião, atualmente no departamento de assuntos internacionais do Ministério da Saúde, disse que o grupo de Moore deixou o país com "a saúde melhorada", mas não entrou em detalhes.A educação e a saúde, sempre gratuitas e de acesso universal, são consideradas as maiores conquistas do sistema socialista construído pelo dirigente Fidel Castro.Os hospitais cubanos estão deteriorados e mal iluminados, e muitas vezes carecem de equipamentos e remédios. Mesmo assim, o sistema de saúde consegue resultados equivalentes aos de países ricos.A mortalidade de crianças com menos de cinco anos é de apenas 7 por mil nascidos vivos em Cuba, resultado melhor que os 8 por mil dos EUA, segundo a Organização Mundial da Saúde."Moore está mostrando a realidade do sistema cubano de saúde, e essa é uma mensagem muito positiva para nós", disse Davis.(Por Anthony Boadle)

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