Reprodução
Reprodução

Cuba coloca documentos de Ernest Hemingway à disposição dos EUA

Material permite um olhar muito pessoal da vida do escritor

20 de fevereiro de 2014 | 13h29

 O telegrama da Academia Sueca anunciando a entrega do Prêmio Nobel de Literatura está entre os 2 mil novos documentos do escritor americano Ernest Hemingway (1899-1961) que Cuba colocou à disposição de pesquisadores nos Estados Unidos, informou nesta terça-feira (18) uma publicação do país.

"Mais de dois mil documentos preservados no Museu Finca Vigia de Havana (a casa de Hemingway na ilha) estão agora disponíveis para os investigadores nos Estados Unidos, depois de serem digitalizados e transferidos para a Biblioteca e Museu Presidencial John F. Kennedy" , indicou a revista Cuba Contemporanea em seu site..

"Este material reflete a vida diária de Hemingway em Cuba. Permite um olhar muito pessoal de sua vida", afirmou à revista Susan Wrynn, curadora da Biblioteca Kennedy.

Esta é a segunda entrega de cópias digitais dos documentos de Hemingway que ficaram por décadas no museu em Havana. A primeira parte foi disponibilizada para a American Library, em 2008, mediante acordo.

"Entre outros documentos, a coleção digitalizada inclui telegramas como o Dr. Anders Osterling, da Academia Sueca, notificando o escritor de seu Prêmio Nobel de Literatura de 1954, e outras cartas de felicitação enviadas por Carl Sandburg, Spencer Tracy, Veronica "Rocky" Cooper (esposa de Gary Cooper), Lillian Ross, John Huston e Adriana Ivancich, um dos amores do autor de "Por Quem os Sinos Dobram", disse a revista.

O processo de restauração e digitalização começou em 2002, após uma parceria entre o Conselho Nacional de Patrimônio Cultural de Cuba e o Social Science Research Council dos Estados Unidos.A cooperação continuou com a Finca Vigia Foundation, criada nos Estados Unidos em 2004 por Jenny Phillips, a neta do editor de Hemingway, Maxwell Perkins.

Hemingway viveu em Cuba de 1939 a 1960 e escreveu na ilha alguns de seus trabalhos mais celebrados, tais como "O Velho e o Mar". Sua casa de Finca Vigia, doada para Cuba por seus herdeiros, tornou-se um museu, visitado anualmente por milhares de turistas. O museu abriga uma coleção de 23 mil peças, que incluem documentos originais e obras de arte, armas, troféus de caça, móveis, equipamentos elétricos e mecânicos, roupas e objetos de decoração.

"Os estudiosos tentam há décadas ver o que existia em Havana, e devido à situação política passou a ser muito difícil (...). Todos estes materiais são restos de comida, resíduos de vida de um escritor. Tudo faz parte de um quebra-cabeça maior", disse Jenny Phillips à Cuba Contemporânea.

Estados Unidos e Cuba vivem há meio século disputas políticas e falta de relações diplomáticas, porém há a existência de vários projetos de cooperação acadêmica e cultural.

Tudo o que sabemos sobre:
Ernest HemingwayLiteratura

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.