Cruise como herói alemão: uma boa e polêmica história

Astro interpreta o coronel Claus von Stauffenberg, figura histórica real, no filme 'Valkyrie'

Adriano Marangoni, especial para o estadao.com.br,

07 de julho de 2025 | 11h06

Alguns dias antes do aniversário de 63 anos da tentativa de assassinato de Adolf Hitler, o site IESB.net divulgou duas fotos de Tom Cruise caracterizado como o coronel Claus von Stauffenberg, figura histórica real que interpreta no filme Valkyrie, ainda em produção, dirigido por Bryan Singer, de X-Men e Os Suspeitos.  Valkyrie era o nome do plano formulado por uma parte dos próprios oficiais alemães durante a 2.ª Guerra Mundial para matar Hitler e reorganizar o governo do país. Ousadia que culminou em 20 de julho de 1944, quando von Stauffenberg deixou uma maleta com explosivos sob a mesa do ditador matando várias pessoas, à exceção do próprio Hitler, que escapou com ferimentos leves.  Envolta em polêmica, a produção do filme produzido pelo próprio Tom Cruise chegou a ser criticada pelo filho mais velho de Claus von Stauffenberg, Berthold, que vê a iniciativa como uma maneira de promover a Cientologia, religião de Cruise e, supostamente, de apelo "mercantil".  A crítica de Berthold é relevante. Seu pai, Claus von Stauffenberg, pertencia à nobreza alemã, tradicionalmente militar e inerentemente católica. Foi justamente dessa associação que surgiu a desavença de von Stauffenberg com o regime nazista. Para o coronel, um ex-combatente das divisões Panzer mutilado pela guerra, a Alemanha teria um futuro obscuro se continuasse nas mãos dos nazistas. A brutalidade com que estes tratavam prisioneiros de guerra e, em especial, à política de extermínio contra os judeus feria não apenas a moral do exército alemão, mas a história dos descendentes do Sacro-Império Romano Germânico, defensores do cristianismo por praticamente mil anos. Além de assassinar o líder máximo da Alemanha, a operação Valkyrie previa ainda a substituição de todos os altos oficiais nazistas do III Reich, além de um armistício imediato com os aliados, com a condição de manterem as fronteiras alemãs sobre regiões da Polônia como eram antes da 1.ª Guerra Mundial (uma demanda que deu origem à própria 2.ª Guerra).  Enxergando na figura de von Stauffenberg uma boa história a ser contada, Tom Cruise e a United Artists procuraram locações na própria Alemanha, especialmente naqueles lugares onde o mártir da resistência alemã teria passado. Entre eles, um memorial no interior do Ministério da Defesa, local onde Claus von Stauffenberg foi executado por traição ao lado de seus comparsas. Para decepção do ator/produtor, o governo alemão não permitiu filmagens no local. Em compensação, a produção do filme ganhou um subsídio do Fundo Federal de Cinema Alemão, aprovado segundo critérios estabelecidos pelo Conselho Federal de Cinema, e que só devem resultados em 2008, lançamento previsto do filme.

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