Acervo pessoal
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'Critico muito a polícia. Mas elogio também'

Onipresente na TV durante os conflitos no Rio, ele ganhou até campanha no Twitter

Patrícia Villalba/ RIO,

04 de dezembro de 2010 | 16h00

O ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar do Rio (Bope) Rodrigo Pimentel já se cansou de dizer que não é exatamente "o Capitão Nascimento da vida real", como costuma ser chamado, em referência ao personagem de Wagner Moura em Tropa de Elite. Ele "apenas" escreveu Elite da Tropa (2006), com o colega André Batista e o antropólogo Luiz Eduardo Soares, livro que originou o filme, onde contava, sob a ótica de um policial fictício, os bastidores das ações do grupo de agentes altamente treinados que hoje, depois dos filmes de José Padilha, são verdadeiro ícone pop.

Figura conhecida há tempos no Rio, como consultor de segurança e comentarista do jornal local RJTV, da Globo, desde o ano passado, ele ganhou projeção nacional ao narrar a ação das tropas de segurança que invadiram o Complexo do Alemão, no último fim de semana, e desarticularam o bunker dos chefes do tráfico local. Depois de horas a fio confinado no estúdio, ganhou dos internautas uma campanha nos moldes da que foi feita para Caio Ribeiro na época da Copa – "libertem o Pimentel", pediram, em tom de piada. Numa das raras vezes em que saiu do estúdio, ele conversou com o Estado:

O tom dos seus comentários na Globo é bastante equilibrado. Por ser ex-policial, você se sente menos à vontade para criticar a polícia?

De jeito nenhum, eu critico o tempo todo. Hoje (terça), falei da ação dos maus policiais que quebraram as casas de moradores no Alemão, por exemplo. Critico muito, e elogio muito também. Meu elogio à operação do domingo foi emocionado porque acho mesmo que foi um sucesso. Marginais fugiram? Sim, mas centenas de armas e toneladas de drogas foram apreendidas.

Qual o momento de maior tensão nos últimos dias?

Foi às 7h de domingo, quando as tropas se posicionavam para invadir o morro. Meu irmão, que é policial, estava ali e tenho vários amigos na equipe. Como todos os policiais, eu apostava num banho de sangue. Hoje, tenho outra teoria, de que a ampla divulgação das imagens da operação serviu como um efeito de dissuasão. Imagina o bandido vendo pela TV o comboio do Bope com 19 blindados chegando na comunidade... Tudo isso teve um impacto muito grande. Garantiu que não havia outra opção, a polícia ia entrar.

A TV ajudou então?

Sim. Nunca antes as autoridades policiais se manifestaram com tanta clareza na TV. A cobertura também uniu o povo do Rio em torno da vontade comum de livrar a cidade do tráfico. Você acha que a Dilma (Rousseff), o (Nelson) Jobim e demais autoridades não viram as imagens daquela procissão de bandidos fugindo da Vila Cruzeiro que o Globocop filmou? Aquelas imagens sensibilizaram o povo, e não tinha mais como recuar. A polícia foi reapresentada ao povo do Rio.

Antes mesmo da operação o Bope já tinha uma imagem bacana entre a população. Você acha que o Tropa de Elite, que apresentava uma polícia mais enérgica, tem algo a ver com isso?

O Tropa apresentava uma policia mais firme, mas mais honesta. As pessoas já amavam o Bope, agora isso foi transportado para toda a polícia.

O que achou da campanha que lançaram para você no Twitter?

Achei engraçadíssimo. Cheguei a ficar 18 horas na emissora, no sábado e no domingo. Tive a oportunidade de ir para casa, mas quis ficar na emissora. Queria explicar a importância do acontecimento, que não foi apenas mais uma operação – o bunker da maior organização criminosa do Rio foi tomado.

Como cidadão comum, você tem medo de andar no Rio?

Não tenho medo de andar na rua, absolutamente. Com a instalação das UPPs (Unidade de Polícia Pacificadora), os índices de criminalidade têm caído. Sou muito otimista com o que a gente tem vivido no Rio nos últimos tempos.

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