Críticas

ROCKROBERT PLANT

, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2010 | 00h00

BAND OF JOY

Universal

Preço: R$ 30

Sem Led Zeppelin, Plant dá uma aula

Julio Maria

Assim que o disco começa a rodar, a vontade é pedir desculpas. Não, Robert Plant não é o mala turrão que pensamos e que os fãs do Led Zeppelin só faltaram pichar nos muros de Londres, cansados de ouvi-lo dizer não aos convites do guitarrista Jimmy Page para voltar com a maior banda de rock dos anos 1970. Não era charme. As negativas de Plant eram por um bom motivo. Ele, de fato, tinha coisa melhor a fazer do que bater nas portas do passado.

Aula não. Band of Joy é um curso em 12 músicas no qual o próprio Page poderia se inscrever.

Afinal, o que faz o homem de luz quando seu tempo passa? Vive até o último suspiro daquilo que criou ou pega o violão na sala e começa a cantar uma canção que seus netos nunca ouviram? Plant se juntou com novos amigos, certamente entusiasmado com os três milhões de discos e seis estatuetas Grammy do álbum anterior, Raising Sand, gravado com a cantora de country Allison Kraus, em 2007, e fez algo simples, melodioso, forte e sublime.

Aos ouvidos que chegam em busca das referências, vale a preliminar: sem John Paul Jones, o baixista e mentor das quebradeiras do Zeppelin, tudo fica mais reto. Sem a guitarra de solos em escalas menores (viajantes) de Jimmy Page, tudo fica menos lisérgico. E sem a bateria de contratempos graves de John Bonham, tudo fica mais suave. Mas foi na ausência de "zeppelinisses" que Plant reergueu seu castelo.

Band of Joy, nome da primeira banda de Plant, tem músicos de folk e country norte-americanos, e isso fica claro - o que não quer dizer que tudo vira Alan Jackson. O rock de Plant, mesmo com frequentes mandolins, banjos e violões de aço, é dramático e sai de algum canto de sua região abdominal quando ele canta Angel Dance, o rock sessenta You Can"t Buy My Love ou o deliciosa doo-wop Falling In Love Again, com muitas vozes no coro e solo de steal guitar.

Ao bom estilo inglês de ver mais a névoa do que o sol, Robert Plant vai ao blues não para trazer a festa de BB King, mas o clamor de Skip James. Central Two-O-Nine é acústica e sulista, única assinada por Plant, em parceria com Buddy Miller. Band Of Joy tem o mérito de trazer sensações novas por um homem que poderia estar cantando Stairway to Heaven em algum estádio por aí.

OUÇA TAMBÉM

ILLINOIS BLUES Artista: Skip

James. Álbum: Illinois Blues. Gravadora: Universal (importado). Preço: (site da Amazon vende faixas a US$ 0,99).

POP BRASILEIRO

PATRICIA MARX E BRUNO E. PATRICIA MARX E BRUNO E.

Urubu Jazz. Preço: indefinido

Patricia Marx e Bruno E. casados com elegância

Como bons ouvidos reconhecem, Patricia Marx é dona de voz afinadíssima e delicada. Integrante do fenômeno infanto-juvenil Trem da Alegria na década de 1980, ela nem sempre conseguiu equilibrar boa produção com repertório adequado na idade adulta. Agora, reafirmando a boa parceria com o produtor Bruno E., a cantora realiza seu álbum mais consistente. Modernidade e suave nostalgia se harmonizam desde a capa do CD, que lembra as dos LPs de bossa-jazz dos anos 1960. Desviando do clichê "lounge eletrônico", o som do disco remete à elegância daquela época, com o violão de Bruno à frente e a sutil conjunção de samba, jazz, bossa, baião, soul, balada e folk. Oswaldinho da Cuíca participa de sua composição com o casal (Carnaval de Ilusão) e o nigeriano Xantoné Blacq atua com eles em três faixas. São nove temas autorais e uma recriação de Passaredo (Chico Buarque/Francis Hime). Dança das Flores é uma clara referência a Take 5, de Dave Brubeck. Para quem já teve de se submeter tantas vezes a Sullivan & Massadas, esse verniz de bom gosto é a melhor vingança. / LAURO LISBOA GARCIA

OUÇA TAMBÉM

VIAJEI

Artista: Katia B. Álbum: Espacial (2007). Gravadora: MCD. Preço: R$ 32,90 (www.americanas.com.br).

BOSSA

MARCOS VALLE SAMBA "68

Dubas

Preço: R$ 26,90

Marcos Valle: sofisticação para americanos

Em 1968, já com repercussão internacional por conta do clássico So Nice (Summer Samba), Marcos Valle lançou um álbum com versões em inglês para algumas de suas composições mais representativas daquela fase pós-bossanovista - incluindo Samba de Verão (em registro bilíngue), A Resposta, Preciso Aprender a Ser Só, Os Grilos e Gente. Lançado originalmente pelo selo Verve, Samba "68 foi sua primeira incursão na conquista do público americano e só agora ganha edição nacional. Os primorosos arranjos de bossa-samba-jazz são do mesmo Eumir Deodato de seus três discos anteriores. Tudo certo./ L.L.G.

OUÇA TAMBÉM

EVEN NOW

Artista: Edu Lobo. Álbum: Sergio Mendes Presents Lobo. Gravadora: A&M. Preço: desde US$ 9,98 (amazon.com).

MPB

VAN LINS

ÍNTIMO

Som Livre

Preço: R$ 24,90

Ivan se renova com reforço de novos parceiros

Além de uma série de fatores de inadequações ao mercado e oscilações de inspiração, os compositores veteranos têm de lidar ainda com a dificuldade de fazer até seu público fiel prestar atenção ao que fazem de novo. Certo desprezo por Carioca (2006), de Chico Buarque, é um exemplo. Ao ouvir Íntimo, de Ivan Lins (foto), fica impressão parecida. Ivan tem uma coleção respeitável de êxitos que a concorrência das novidades com o que ele próprio compôs de mais relevante é dureza. Aqui ele retoma a fértil parceria com Vitor Martins e se renova na companhia lírica de Chico Buarque (o samba Sou Eu), Celso Viáfora, Abel Silva, Francisco Bosco e Jorge Drexler. O uruguaio é um dos que dão expressivo reforço vocal ao CD, que tem nomes fortes do jazz como Laura Fygi, Jane Monheit, Till Brönner e Take 6, além do astro pop latino Alejandro Sanz. São participações coerentes com caráter internacional da música de Ivan, que gravou o CD na Holanda e na Bélgica com orquestra e tudo. / L.L.G.

OUÇA TAMBÉM

COMEÇAR DE NOVO

Intérprete: Josee Koning. Álbum: Dois Mundos. Gravadora: Chalenge Records. Preço: ? 12 (www.joseekoning.com).

POP-ROCK

ELIZA DOOLITTLE

ELIZA DOOLITTLE

EMI

Preço: indefinido

A promissora estreia da inglesa Eliza Doolittle

As imagens do CD da cantora inglesa Eliza Doolittle insinuam que ela seja mais uma dessas armações teen que infestam o mundo pop. Nesse caso, a (divertida) embalagem engana. Ela nem é adolescente (fez 21 anos) e revela consistência artística. Tudo bem que há outras do mesmo modelo por aí, mas Eliza mostra mais do que boas intenções. A voz e o estilo lembram um pouco Regina Spektor, ela traz influências de soul da Motown, de rock e surf music sessentista (Missing tem até sample de The Fleetwoods) como outras, mas conseguiu reunir um conjunto de canções espertas nesse promissor álbum de estreia. / L.L.G.

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HOT "N" COLD

Artista: The Baseballs. Álbum: Strike. Gravadora: Rhino/WEA. Preço: a partir de US$ 6,78 (www.amazon.com).

DANCE ROCK

PHOENIX

WOLFGANG AMADEUS PHOENIX

UNIVERSAL Preço: R$ 30

Voos leves e agradáveis pelo firmamento pop

Na maré de lançamentos nacionais de discos de bandas que vêm ao País neste semestre, chega às praias brasileiras o último do Phoenix. Wolfgang Amadeus Phoenix, o quarto álbum de estúdio da banda francesa, traz synth pop e dance rock avec elegance, feito com uma combinação interessante de timbres acústicos, sintetizadores e batidas light tocadas com a precisão e a leveza de um metrônomo. O que não significa que WAP seja um trabalho mecânico. Muito pelo contrário. A produção de Thomas Mars, Christian Mazzalai e Laurent Brancowitz resulta em um pop prazenteiro, impulsionado por arranjos leves e refrões de sutil melancolia, cantados com falsetes carismáticos e abandono adolescente. As excelentes canções são frutos de mais de quinze anos de estrada que começaram com covers de Hank Williams e Prince em botecos parisienses. A sedutora Fence faz justiça ao legado dos dois mestres. / ROBERTO NASCIMENTO

OUÇA TAMBÉM

SO LIGHT IS HER FOOTFALL

Autor: Air. Álbum: Love 2.

Gravadora: EMI.

Preço: R$ 30.

POP-ROCK

VÁRIOS

VIGILANTE - A MÚSICA QUE VOCÊ PROCURA

Deck. Preço: indefinido

Singles de novas bandas reunidas em coletânea

Além de relançar clássicos e títulos recentes do pop brasileiro em LP, a gravadora Deck criou o selo Vigilante, pilotado por Rafael Ramos, para promover novas bandas de rock, pop e eletrônica. A primeira leva de singles acaba de sair em compactos de vinil, reunidos numa coletânea em CD, com duas faixas para cada um: Volantes, Boss in Drama, Colombia Coffee, The Name, Mim (ex-Madame Mim) e Vivendo do Ócio. As bandas de rock soam um tanto derivativas (The Name parece misto de The Cure e The Rapture), os projetos de dance eletrônicos também abusam das referências, mas têm melhor resultado. / L.L.G.

OUÇA TAMBÉM

DANCE AGORA

Artista: Cachorro Grande.

Álbum: Cinema. Gravadora: Deck.

Preço: R$ 21,90.

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