Crítica: Uma versão New Age da filantropia

Quem se Importa? É a interrogação (retórica) do filme de Mara Mourão, ao fazer a pergunta a respeito da desordem do mundo. A resposta é imediata: muita gente se importa com a pobreza, a poluição, falta de saúde, a injustiça. Essa gente que faz não age em nome de governos ou ideologias. São seres autônomos, que se organizam e tentam mudar as coisas. Em outra época, seriam chamados de filantropos; hoje escolhem a denominação de empreendedores sociais.

Luiz Zanin Oricchio - O Estado de S.Paulo,

17 de abril de 2012 | 03h08

Quem pode ser contra a prática do bem? No entanto, as soluções parecem óbvias demais. O filme vê os sucessos, nunca os tropeços. Não se entende por que motivo, sendo tão evidentes e fáceis as soluções de certos problemas crônicos, eles ainda não foram resolvidos. Muitos dos depoentes assumem ar beatífico, típico dos gurus. A música e o quadro de fundo das entrevistas, decorado com revoadas de pássaros virtuais, não ajuda. Há música melosa. E vai por aí.

Nada disso é novo, mas pessoas de boa vontade são bem-vindas. Ainda mais em tempo de individualismo atroz. Esse empreendedorismo social, no entanto, deve ser compreendido. Parece fruto do desencanto com governos e ideologias. Baseia-se num voluntarismo do bem e volta as costas para qualquer política - a não ser as micropolíticas de intervenção local. Não faz a crítica estrutural do modelo econômico dominante, apenas deplora seus efeitos, como se uma coisa estivesse desligada da outra. Enfim, como definiu um desses personagens, o empreendedor social é um misto do capitalista com Madre Teresa de Calcutá. É preciso ver se personagem tão contraditório para em pé.

Crítica: Luiz Zanin Oricchio

JJJJ ÓTIMO

JJ REGULAR

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.