Crítica: O documentário adota a linguagem do homenageado

Mr. Sganzerla - Os Signos da Luz consegue traduzir, em sua linguagem, a forma mesma de ver o mundo do homenageado. Será preciso dizer que, sem abdicar de sua linguagem própria, Joel Pizzini, para falar de Sganzerla, torna-se sganzerliano.

Luiz Zanin Oricchio - O Estado de S.Paulo,

25 de maio de 2012 | 03h12

Primeiro, por renunciar a qualquer tentativa de narratividade; opta, ao contrário, pela fatura de um filme-colagem, como era a forma de pensamento predominante fragmentária, e explosivamente criativa, do autor de O Bandido da Luz Vermelha.

E a menção a essa obra-prima do cinema nacional torna-se oportuna para lembrar que a trajetória de Rogério não se resume a essa pseudobiografia de um personagem real, o assaltante João Acácio. O Sganzerla de todas as fases de sua vida ganha espaço nesse documentário tanto amoroso quanto rigoroso com o personagem. Tenta, à sua maneira estilhaçada de elaborar conceitos, mostrar as principais linhas de força da ação de Rogério. Por um lado, a mensagem longínqua da antropofagia oswaldiana. Por outro, a obsessão com Orson Welles e sua caótica passagem pelo Brasil. Por fim, o diálogo e filiação com o cinema dito marginal naquilo que ele teve de mais criativo. Rogério está no filme.

Avaliação do filme: ÓTIMO

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