Crítica no Brasil desaprova obra de Paulo Coelho

Venerado em quase todo o mundo, Paulo Coelho nunca conseguiu esconder ressentimento com a crítica

Ubiratan Brasil, com agências internacionais,

31 de maio de 2008 | 00h09

A desaprovação da crítica em relação à obra de Paulo Coelho se restringe ao Brasil. Segundo Fernando Morais, mesmo com alguns desafetos em outros países, a rejeição se concentra entre os brasileiros. "Não sei explicar o motivo", diz o biógrafo. "Tom Jobim dizia que o brasileiro costuma encarar o sucesso de um conterrâneo como ofensa. Assim, alguém que sai do bairro do Botafogo e se torna o escritor mais traduzido no mundo provoca reações diversas nas pessoas."   Veja também: Chega às livrarias a biografia de Paulo Coelho Leia trechos de O Mago Diários de Paulo Coelho mudaram a biografia, conta Fernando Morais Fernando Morais comenta a biografia de Paulo Coelho  Galeria de fotos com momentos da vida do escritor    Assim, embora venerado em praticamente todos os cantos do mundo, Paulo Coelho nunca conseguiu esconder seu ressentimento com a crítica, em especial a nacional. Em Avilés, na Espanha, onde esteve nesta semana para comemorar o 20º aniversário de seu romance mais célebre, afirmou: "Se tivesse tido uma crítica positiva, nunca teria vendido 100 milhões de livros." O sucesso, portanto, estava na paixão de seus leitores. Coelho lembrou que, ao publicar O Alquimista no Brasil, a obra "não vendeu quase nada, pouco mais de 900 exemplares". Foi o boca a boca dos leitores, e não a crítica, que, segundo ele, fez com que as vendas do livro chegassem a 35 milhões de exemplares editados em 67 idiomas.   Falando para um batalhão de jornalistas, o escritor não revelou especial carinho pela obra, dedicando mais atenção ao livro que deverá ser lançado em dois meses, do qual não quis antecipar o conteúdo.   Já a versão cinematográfica de O Alquimista deverá realmente acontecer, pois Coelho já vendeu os direitos para a produção. Embora convidado a se mudar para Hollywood e participar das filmagens, que consumirão US$ 94 milhões, ele recusou. "Sou um escritor, não um roteirista", justificou.   Prestes a completar 60 anos (em 24 de agosto), o escritor insistiu que não vive em função do passado ("o presente é o que mais valorizo na vida"), tampouco se abala com as cifras milionárias que cercam seus livros - a marca de 100 milhões de exemplares vendidos, por exemplo, é considerado por ele como um dado "abstrato".   Mesmo assim, Fernando Morais não disfarça uma ponta de apreensão sobre a avaliação a ser feita pelo escritor a respeito da biografia que chega neste sábado, 31, às livrarias. "Em uma entrevista, ele disse ter se arrependido de ter liberado meu acesso ao seu baú; em outra, porém, confessava que, como em algum momento sua história seria divulgada, que fosse logo então", afirmou. Sobre a dúvida de Coelho a respeito da longevidade de sua obra, Morais tem um veredicto: "Não será esquecida nunca."

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