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Crítica: Muita ousadia de fachada e caretice de fundo

'Paraísos Artificiais' coloca na tela a geração 'T', de testemunho, que fica twittando o tempo todo

Luiz Carlos Merten - O Estado de S.Paulo,

07 de maio de 2012 | 03h08

Talvez seja um problema geracional, e ele ocupou boa parte do debate sobre Paraísos Artificiais, quando o filme de Marcos Prado concorreu no Cine PE. No local em que o repórter estava sentado, a fileira da frente foi ocupada por jovens que passaram o tempo todo do filme manipulando seus celulares e enviando mensagens.

Aqueles jovens queriam dar seu testemunho de que estavam no cinema, e talvez tenham escrito nas mensagens que assistiam a um filme de 'pegação'. Sob o efeito das drogas, as raves viram festas sensoriais na tela. Pela primeira vez, Lula Carvalho não é seu câmera. Ele ficou somente no visor, como diretor de fotografia. A intenção assumida de Marcos Prado foi fazer um filme belo e sensorial. Os jovens drogados viajam nos paraísos artificiais. Pegam-se - homens e homens, mulheres e mulheres, homens e mulheres.

Paraísos Artificiais coloca na tela a geração 'T', de testemunho, esses jovens que ficam twittando o tempo todo, dando conta do que vivem. E a estética do filme é 'corta e cola', como a arte do DJ - não por acaso, Érika, a protagonista feminina, é uma DJ, que faz carreira musical no País e no exterior. Um pouco por isso, a narrativa do filme viaja - Rio, Amsterdã, praias do Nordeste.

Prado e Lula Carvalho recriam o clima alucinatório das drogas, mas sem exagerar nas lentes deformantes. As garotas ficam acuadas por búfalos num desfiladeiro em Alagoas - e a cena é muito bem filmada. O Ibama teve de autorizar o transporte dos animais do Pará. A estética é nova, ou pretende ser nova, mas considerando-se a censura do filme - 16 anos -, está uma geração atrás. O básico sensorial e audiovisual de Paraísos Artificiais vem de Kathryn Bigelow - o importante é que tem gente que sabe disso.

E, a despeito das novidades e ousadias - das safadezas -, o filme conta uma história tradicional (careta?) de perda e reparação, de encontros, desencontros e reencontros. Marcos Prado embaralha a narrativa - 'esculpe o tempo', como se diz. Mas não há nada, em seu filme, que não esteja em À Beira do Caminho, de Breno Silveira, que também concorreu no Recife, Só que, lá, a rave é substituída por canções românticas de Roberto Carlos. No universo de jovens, há até um velho - o hippie - que, por meio da palavra, reflete sobre as drogas e resume a 'mensagem' do autor.

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