Divulgação
Divulgação

Crítica: dupla improvável fica perfeita na tela e 'Intocáveis' cresce com isso

Produção dos diretores Eric Toledano e Olivier Nakache estreia nesta sext-feira, 31, no Brasil

LUIZ CARLOS MERTEN - O Estado de S.Paulo,

31 de agosto de 2012 | 03h12

Avaliação: Ótimo

Algo se passa no cinema francês e é bom o cinéfilo brasileiro dar-se conta disso. O fato de O Artista, de Michel Hazanavicius, ter sido recompensado em Cannes, em 2011 - como primeiro passo para o Oscar -, mostra que o cinema popular da França está conseguindo falar com o mundo. Antes, eram só os filmes de autores. Hoje, Hazanavicius, Eric Toledano e Olivier Nakache fazem história.

Na entrevista, eles contam que 'quase' fizeram Intocáveis com Daniel Auteuil. É um bom ator, mas o filme teria sido diferente. Um dos desafios de Toledano e Nakache era justamente confrontar os estilos de Omar Sy e François Cluzet. Deu supercerto. O filme é sobre uma dupla improvável - de personagens e atores. Improvável não é impossível.

Intocáveis coloca a França no espelho. O país tem uma bela tradição de haver abrigado artistas e intelectuais no exílio. Com esses estrangeiros, a França foi sempre generosa. Com seus imigrantes, aqueles - árabes e africanos - que a fazem encarar seu passado colonial, a história é outra.

O filme metaforiza o encontro/confronto da França branca com a mestiça. François Cluzet faz um milionário tetraplégico. Omar Sy, saído da cadeia, será seus braços e pernas. Tudo os separa, mas eles vão mudar a vida um do outro. O início é complicado. "Nunca!", é o grito - quase de guerra - de Omar quando descobre que entre suas tarefas está limpar a bunda do patrão.

A crítica norte-americana decretou que Intocáveis é politicamente incorreto, e talvez seja. Algumas piadas são machistas e também é por isso que Toledano e Nakache conseguem retratar o país. O importante é o movimento - a forma como a história improvável se torna 'possível'.

Omar Sy ganhou o César, o Oscar francês, como melhor ator - derrotando Jean Dujardin, que venceu o prêmio da Academia de Hollywood. François Cluzet e ele são a alma do filme. O cinema, e essa é uma verdade básica, começa e se dilata na pele dos atores. O filme é sobre um deficiente que pode comprar tudo, e encontra um cara (carente?) que o trata sem condescendência. A correção não pode nem deve ser uma concessão. Falam de sexo sem dó nem miserabilismo. A cena em que Omar dança por Cluzet é um momento de antologia.

Tudo o que sabemos sobre:
Intocáveis

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.