Crítica de TV gera polêmica em debate

O ciclo de debates intitulado A Crítica da Crítica, destinado a debater o papel da crítica no meio artístico e entre o público teve início, ontem, na Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA). Este primeiro debate teve como tema a crítica da televisão e permitiu conhecer o que os criticados pensam a respeito da crítica.Logo de cara, uma surpreendente autocrítica: o jornalista Armando Antenore, afirmou que não era crítico de TV e sim estava crítico, parafraseando o antigo ministro da Educação do regime militar, Eduardo Portela. "Sempre fui repórter e, na verdade, qualquer pessoa pode ser crítico de TV, já que muitos jornalistas que atuam nessa área não têm uma formação específica." O ator e diretor José Wilker, normalmente alvo das críticas de TV, aproveitou para alfinetar: "Eles devem treinar fazendo a coluna de horóscopo", provocando risos na platéia. Antenore rebateu: "Ao assumir isso, pretendo justamente discutir a questão da crítica."O crítico de TV , Gabriel Priolli, afirmou que o fato não é incomum. "Quando comecei no jornalismo, nos anos 70, todo mundo queria ser crítico de cinema, de literatura ou de artes plásticas, mas ninguém queria TV, pois isso era considerado uma coisa menor." Para ele, hoje a situação é diferente e a crítica está mais especializada.O autor de telenovelas da TV Globo, Lauro Cesar Muniz, criticou o fato de muitos críticos se nortearem pelo Ibope. "Eles estão mais preocupados com o resultado do Ibope do que com a qualidade da obra." Mas contemporizou, lembrando que sua novela O Casarão, exibida no fim dos anos 70 e considerada uma das melhores já feitas pela Globo, deve muito ao apoio da crítica. "O pessoal da Globo queria que eu mudasse e tornasse a narrativa mais simples, mas os elogios da imprensa me permitiram manter a idéia original."Ao defender mais qualidade para os programas populares, José Wilker afirmou que considera a maioria dos programas educativos muito chatos. "É por isso que não dão audiência," Citou a novela Roque Santeiro como exemplo de qualidade. "Ela fazia críticas à sociedade e era muito cultural, sem deixar de ser divertida."Já a crítica de TV do jornal O Estado de S. Paulo, Leila Reis, afirmou que o Brasil tem 160 milhões de críticos de TV. "Muitas vezes o leitor abre o jornal mais para ver se nossa opinião bate com a dele." Na segunda-feira, no Centro Cultural, o debate reunirá profissionais de cinema.

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