Cristo Redentor em maiô. Não pode

Um mês e meio antes de deixar a Arquidiocese do Rio, o cardeal-arcebispo d. Eugenio Sales abriu mais uma polêmica sobre o uso de imagem do Cristo Redentor. A Arquidiocese do Rio entregou ontem ao secretário de Segurança Pública do Rio, Josias Quintal, notícia-crime contra a empresa Salinas, que criou um maiô inspirado em um quadro de arte naïf que reproduz a famosa estátua carioca. Em nota divulgada ontem, os proprietários da grife, Antonio e Jacqueline De Biase comunicam que não tiveram intenção de ofender o sentimento religioso e não vão mais comercializar a peça. Segundo o advogado da Arquidiocese, Antonio Passos, o uso da imagem de Cristo "afronta a dignidade da pessoa cristã". "Pedimos a busca e apreensão das peças porque o uso da imagem desta forma é um crime previsto no artigo 208 do Código Penal brasileiro. Isto é vilipendiar publicamente uma imagem religiosa", observou. Os proprietários da Salinas afirmam que a empresa ficou sabendo pela imprensa da "provável insatisfação da Arquidiocese" e logo se prontificaram a esclarecer a situação. "Em momento algum tivemos a intenção de ofender o sentimento religioso usando a imagem de Cristo. A nossa motivação foi homenagear a arte naïf e a cidade do Rio de Janeiro, que tem o Redentor como um dos seus ícones mais marcantes", esclarecem na nota. Passos disse que outro problema é o direito de imagem que a Arquidiocese tem sobre o Cristo Redentor. Segundo ele, o fato de a inspiração ter sido feita em cima de uma pintura não serve de atenuante. "É como usar uma foto do Pelé na embalagem de um produto sem pedir a sua autorização", exemplificou. "O crime de vilipêndio está caracterizado pela publicidade", acrescentou. Os De Biase explicam que adquiriram os direitos de uso da imagem do quadro "Rio de Janeiro, gosto de você, gosto desta gente feliz", de Lia Mittarakis, que faz parte do acervo do Museu Internacional dde Arte Naïf, para utilizar em parte da Coleção Verão 2002, que tem estampas mostrando a beleza da cidade. O maiô foi mostrado ao público pela primeira vez, há duas semanas, no corpo da modelo Mariana Weickert durante o desfile que a grife apresentou na 8.ª Semana Barra Shopping de Estilo. "Quando fizemos o maiô, pensamos unicamente na paisagem e esquecemos da conotação religiosa que poderia estar associada. Como católicos, pedimos desculpas e comunicamos que retiraremos essa peça de nossa coleção." No fim da tarde, um representante da empresa se comprometeu junto ao advogado da Arquidiocese a enviar uma carta ao cardeal com um pedido de desculpas. A Salinas também assumiu formalmente o compromisso de não comercializar as peças e de não usar a imagem do Cristo Redentor em publicidade. Há dois anos, a Arquidiocese também entrou com pedido de apreensão de sungas criadas por uma outra grife carioca que colocou o rosto de Cristo estampado nos calções. As 250 peças foram retiradas de circulação.

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