Cristina Buarque e sua roda de samba no terreiro

A sambista e o grupo paulista Terreiro Grande comemoram aniversário do Teatro Fecap

Francisco Quinteiro Pires,

12 de setembro de 2007 | 19h40

As músicas que abrem e fecham o CD Cristina Buarque e Terreiro Grande ao Vivo (R$ 20) são do Paulo da Portela e falam de esquecimento. Elas vão, porém, na contramão do show de lançamento do álbum que comemora, nesta quinta,13, o aniversário de um ano do Teatro Fecap e relembra com alegria um tipo de samba relegado ao passado. "Hoje o pessoal só canta sucessos e não se fazem mais rodas de samba no quintal", diz Cristina Buarque. Mas a cantora aponta uma exceção: o grupo paulista Terreiro Grande, que resgata compositores do tempo do batuque nos quintais.Veja também: O Meu Nome Já Caiu no Esquecimento, de Paulo da Portela Eu Não Sou do Morro, de Francisco Santana  Numa dessas rodas, feita em 2005, o Grêmio Recreativo Tradição e Pesquisa Morro das Pedras, que depois formou o Terreiro Grande, fez uma homenagem ao compositor portelense Alvaiade, para a qual convidou Cristina Buarque.  Assim se iniciava a parceria que resulta no primeiro disco gravado de uma apresentação no Teatro Fecap - feita em fevereiro deste ano. "A gente pôde lançar o disco porque economizou com estúdio." Um dos 15 integrantes do Terreiro Grande, Renato Martins conta que os 37 sambas do novo CD são de terreiro. O terreiro aí não é o religioso, é o da quadra da escola de carnaval, dentro da qual se entoavam as músicas antes dos ensaios da bateria. "Desde os anos 60, essa prática está extinta", diz Martins, responsável pelo agogô. A pesquisa dos sambas de terreiro deu origem, em abril de 2001, ao Morro das Pedras, que durou até dezembro do ano passado. A constante troca de músicas entre os 15 componentes possibilitou, com a ajuda do precioso repertório de Cristina, escolher os sambas do disco. "Quem assistir ao show vai ter surpresas, vai ouvir músicas que não colocamos no CD por falta de tempo", diz Cristina. A cantora gosta de repetir que a roda de samba com o Terreiro Grande pode durar mais de oito horas. Em tempo: essa afirmação, que pode soar exagerada, remete às histórias antigas sobre o batuque que comia solto até o raiar da aurora ou sobre festas, regadas a batida de limão e feijoada, que varavam dias. A sambista revela que ela e o Terreiro Grande vão cantar por show, três músicas que não entraram na gravação e, no bis, um partido-alto improvisado na hora. Apesar de participações em alguns CDs, desde 2000, quando fez o disco Ganha-se Pouco, mas É Divertido, um tributo a Wilson Batista, Cristina não encabeçava um projeto. Para compensar o intervalo, ela está produzindo com o grupo Samba de Fato um CD duplo com músicas inéditas e pouco conhecidas de Mauro Duarte. O lançamento está previsto para novembro. Depois das apresentações no Teatro Fecap, o Terreiro Grande tem a intenção de se reunir todo mês para continuar seu resgate dos sambas de terreiro. Embora os integrantes costumem se encontrar no Bar Patriota, no Tatuapé, zona leste, eles ainda não definiram um lugar para fazer a roda.   Cristina Buarque e Terreiro Grande. Teatro Fecap (400 lug.). Av. Liberdade, 532, tels. 0800- 551902 e 11-3272-2277. 5.ª a sáb , 21h; dom., 19h. R$ 10

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