Cristina Braga no mar do erudito e popular

Primeira harpista da Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal do Rio, Cristina Braga especializou-se num dos instrumentos mais antigos do mundo - acredita-se que exista há mais de cinco mil anos. É, no entanto, uma artista de seu tempo, que sente necessidade de falar dos assuntos da contemporaneidade.

Roberta Pennafort / RIO, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2010 | 00h00

Acostumada a transitar entre o popular e o erudito desde o início da carreira, há três décadas, Cristina está lançando Feito um Peixe, CD com composições feitas para sua voz e sua harpa, por ela e parceiros como Moacyr Luz, Jorge Mautner e Arthur Verocai. Em duas faixas, seu instrumento dialoga com a guitarra de Dado Villa-Lobos, que participará do show de lançamento, A Harpista e o Roqueiro, hoje, às 19 h, no Teatro Ginástico, no Rio.

"Eu queria canções autorais novas, que falassem da vida contemporânea, e que fossem pensadas para voz e harpa. É uma coisa nova na MPB", aponta Cristina, que busca divulgar a harpa, seja em peças de Mozart, Haendel, Debussy ou Ravel, seja se aventurando pelo samba e o choro (já gravou um CD com composições de Noel Rosa e Cartola).

Ainda estudante de harpa, aos 19 anos, no início dos anos 80, ela se apresentou em show com grandes da MPB, como Nara Leão e o Quarteto em Cy, no Canecão, a convite do produtor Aloysio de Oliveira. Acompanhou artistas de diferentes estilos, de Moreira da Silva aos Titãs, e participou de gravações de Nando Reis, Marisa Monte e Zeca Baleiro, entre outros. Sem conseguir colocação em orquestras, ela se apresentava em casas de jazz. Causava estranhamento à época ao se propor a tocar música popular - hoje garante que já não é assim.

A modulação sonora que apresenta no CD ela aprendeu ao tocar bossa nova com Pery Ribeiro. Para dominar Brasileirinho (Waldir Azevedo), suou nos pedais. "Tive que pedalar pra caramba! A coordenação motora é muito difícil." Já cantar não foi um grande desafio, ela conta, assim como não o é carregar o instrumento, que pesa 25 quilos (na versão em fibra de carbono; a de madeira, tem 50 quilos).

No repertório, está a Ária de Emília, do maestro Silvio Barbato, que morreu em 2009, e do poeta e compositor de sucessos do pop Bernardo Vilhena, que faz parte da ópera O Cientista.

Este é seu 14º CD, e o terceiro em que alia à harpa a voz suave. A agenda de shows continua por Mauá (28/5) e segue para Niterói (9 e 10/6), São Paulo (8 e 20/6) e Santo André (30/7).

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