Crise norte-americana poupa os ricos de Beverly Hills

A vida anda dura em Beverly Hills,embora a situação para os muito ricos não seja nem de longe tãopreocupante quanto a do norte-americano médio. Veja o caso de Tim O'Hara, gerente da concessionáriaRolls-Royce que leva seu nome e atende astros do rock, atores eexecutivos de Hollywood, muitos dos quais são moradores deBeverly Hills, um endinheirado subúrbio de Los Angeles. "Alguns clientes compravam um Rolls-Royce e uma Bentley acada 12 meses, mas agora reduziram para a compra de dois carrosnum período de 18 meses", disse ele. Carros como Rolls, Aston Martins, Bentleys e Lamborghiniscustam entre 100 mil e 1 milhão de dólares e ainda encontramcompradores por aqui. Para pessoas com patrimônio superior a 10milhões de dólares, os efeitos da crise econômica são bem maissutis do que a perda de casas, empregos e aposentadorias. Gary Gold, vice-presidente-executivo da imobiliária de luxoHilton & Hyland, de Los Angeles, conta que as casas mais caras(de 3 a 10 milhões de dólares) agora passam um pouco mais detempo à venda, mas nada que se compare à situação da Flórida ouLas Vegas, onde o tempo médio de espera por um negócio é dedois a três anos. Mas a Hilton & Hyland vive desde o ano passado uma faserecorde de vendas para imóveis avaliados acima de 10 milhões dedólares. "A riqueza de algumas pessoas está evaporando, mas nosuper-topo não parece ter tido um grande impacto," disse Gold,citando também o enorme afluxo de dinheiro estrangeiro nomercado imobiliário de Los Angeles. Os negócios continuam bons também para Hamish MacDonald,executivo-chefe da Customized Fitness Systems, que constróiacademias de ginástica de 100 mil dólares na casa dascelebridades. "Vendemos uma esteira por 12 mil dólares. Muitos dos nossosclientes estão comprando esteiras. Venda fácil", disse ele. "Amaioria dos nossos clientes são celebridades 'top' e estãoganhando 20 milhões de dólares ou mais em filmes, então nãoacho que isso [a crise econômica] esteja afetando seucotidiano", acrescentou. Mas aparentemente os ricos estão de olho nos juros do Fed(Banco Central). O'Hara, o representante da Rolls-Royce, prevêque vários clientes podem preferir usar seu dinheiro paraoutras coisas que não carros. "Há algumas excelentes oportunidades de compra no setorimobiliário. Ao invés de comprar essas Rolls neste ano, algunspodem decidir pegar seus 500 mil dólares para comprar umjatinho particular de segunda mão. Há muitas maneiras de gastardinheiro."

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