Denise Andrade/Estadão
Denise Andrade/Estadão

Crise no Procure Saber foi causada por liderança de Kakay

Paula Lavigne, presidente do grupo, diz que não precisa de 'lobista em Brasília nem de advogado criminalista'

06 de novembro de 2013 | 18h00

O “ponto de divergência” que levou à desistência de Roberto Carlos em participar do grupo Procure Saber foi a liderança “imposta” do advogado do cantor, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay. Ao menos foi esta a bola levantada ontem pela empresária Paula Lavigne, em entrevista ao site do jornal O Globo. “Não precisamos de lobista em Brasília e muito menos de advogado criminalista. Não cometemos crime algum”, disse. “Quando foi imposta a entrada de Kakay, o tom mudou demais. O ponto de divergência (não de discórdia) foi apenas a forma de se trabalhar com as questões, inclusive publicamente. O Procure Saber funciona através desse debate livre e democrático, conseguindo os resultados pelo trabalho de todos.” O curioso é que Dodi Sirena, empresário de Roberto, usou o mesmo discurso para justificar a saída de seu artista em carta que enviou à imprensa. “Não é bem assim o nosso jeito de trabalhar (disse, depois de Caetano escrever sobre sua desaprovação com relação a Kakay), somos mais discretos, afinal, defendemos também a privacidade no sentido profissional.”

Questionada a respeito da possibilidade de o Procure Saber, sem Roberto, recuar na questão das biografias, reconsiderando a postura de exigir autorização prévia, Paula respondeu: “Podemos tudo, tudo o que os artistas quiserem e que beneficie a classe. Mas, como disse, ainda não conversamos. Estamos cansados, tivemos uma disputa interna, de empresários e advogados querendo falar por todos, e nem respiramos. Temos muitas outras pautas, como a questão do Ecad, que tem uma lei a ser implementada.”

Kakay enviou uma carta ao Procure Saber, que reencaminhou ao Estado: “Toda essa discussão publica que se agigantou nos últimos dias tem um efeito imediato nas tratativas que estavam sendo levadas junto ao Congresso Nacional”, começa o advogado. “Apenas recapitulando e, para não deixar dúvidas, eu fui ao Congresso tratar deste assunto a pedido do Dody e do Marco Antonio (outro advogado de Roberto), que se sentiram habilitados para tal, depois daquela reunião no estúdio do RC.”

Mais para frente, fala de suas preocupações. “O importante é não perder espaço e não deixar que as forças contrárias se aproveitem destes desencontros. Eu continuarei aqui à disposição do RC, se ele julgar que posso ajudar, mas quero distância de embates públicos, para não prejudicar a causa, embora goste dos embates, pois neles fui forjado. Sempre acreditei que é entre a náusea e a rosa que a ostra faz a pérola. Mas também penso que tem hora para ouvir e hora para falar. Reservo-me o direito de ficar na torcida para que tudo seja resolvido da melhor maneira.”

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