Charlie Watts, Mick Jagger e Keith Richards (D), dos Rolling Stones, num show em Londres, em 2013. Foto: REUTERS/Luke MacGregor
Charlie Watts, Mick Jagger e Keith Richards (D), dos Rolling Stones, num show em Londres, em 2013. Foto: REUTERS/Luke MacGregor

Crise econômica coloca shows internacionais em ritmo de espera

Dólar em alta e dinheiro curto no bolso do brasileiro ainda não cancelaram atrações, mas produtores musicais estão cautelosos com relação ao futuro

Amilton Pinheiro, Especial para O Estado de S.Paulo

11 de novembro de 2015 | 13h40

Atualizado às 17h15

Se olharmos para o retrovisor, até que 2015 não foi um ano ruim para atrações musicais internacionais. Apesar da crise econômica e da alta na cotação do dólar frente ao real, dois grandes eventos tradicionais de rock aconteceram no País - Rock in Rio e o Monsters of Rock. Mas o que esperar para 2016? Será que a recessão deverá afetar a agenda de shows para o período?

Fomos atrás dos grandes produtores musicais para responder essa questão. E o que se ouviu deles - aos menos dos que aceitaram dar uma entrevista sobre o assunto - é que, apesar de garantidas as grandes atrações, do porte de Iron Maiden e Rolling Stones, sem contar os festivais Lollapaloza e Tomorrowland Brasil, ambos confirmados, resiste no setor uma certa cautela com relação aos compromissos ainda não confirmados para o próximo ano.

"O País vinha em uma escala crescente neste segmento, mas com a alta do dólar os produtores ficaram mais criteriosos com os custos e investimentos. Corremos o risco de diminuir a possibilidade de estarmos na rota de grandes turnês", afirma Elvis Patez, programador artístico grupo Tom Brasil, dono das casa Tom Brasil.

Por se tratar de atrações estrangeiras, pagas em dólar, a alta da moeda americana que chegou a ultrapassar os R$ 4 semanas atrás, os produtores avaliam que o próximo ano será de negociações, cautela e adaptações. 

"O momento atual do País sugere negociações para redução de custos, esta é uma maneira de encontrar equilíbrio entre produtora, artistas e público", diz Carlos Konrath, presidente da Opus Promoções, a maior administradora de teatros do País, dentre eles o Teatro Bradesco, em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Na opinião de Manoel Poladian, que atua no segmento há mais de 50 anos e já trouxe ao Brasil artistas como James Taylor, Liza Minelli, David Bowie, Sting e Charles Aznavour, o momento exige adaptações. 

"Já passamos por muitas crises. A oscilação do dólar afeta a agenda, mas não impacta na vinda de grandes atrações internacionais, mas no volume de espetáculos, pois reduz temporariamente a quantidade de público consumidor".

Grandes atrações.  Até agora, foram divulgados oficialmente os shows das bandas Iron Maiden e Rolling Stones, além de mais uma edição do Lollapaloza e, pelo segundo ano consecutivo, o festival de música eletrônica Tomorrowland Brasil, garantido para acontecer em abril em Itu, no interior de São Paulo.

Há ainda a expectativa, ainda não oficialmente confirmada, de algumas atrações internacionais de porte para 2016. Dentre elas a cantora londrina Adele e a banda, também britânica, Coldplay. 

Em março, a banda de pop rock Maroon 5 está confirmada no Brasil, além dos canadenses do Magic, que virão em janeiro, para apresentações nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília e Curitiba.

"Não cancelamos nenhum show, mas tivemos que adaptar as novas possibilidades para realizar os shows internacionais, tentando negociar com nossos parceiros e entender as necessidades dos mesmos para manter a freqüência e qualidade da nossa programação", revela o porta-voz da Tom Brasil. A Opus Promoções também disse que não cancelou apresentações confirmadas, mas teve que abrir mão de algumas possíveis em função do cenário negativo no País. 

A Poladian Produções fez sua agenda de shows em 2015 de acordo com suas possibilidades e do público esperado. "Nossos shows, em virtude de nossa larga experiência e tradição, foram programados e realizados dentro das oportunidades do mercado, tendo sido contratados apenas eventos viáveis neste mercado de crise", explica Poladian.

    

Agenda em andamento. Tanto a Opus Promoções quanto a Poladian Produções disseram que ainda não fecharam os shows para o próximo ano, alegando que estão em fase de negociações diante do cenário negativo. 

O Grupo Tom Brasil, que não fechou sua grade de shows internacionais, tem confirmado as bandas Magic e Marillion. Para o público ansioso por atrações internacionais o que resta é aguardar a divulgação dos próximos shows e torcer para que sua banda ou artista favorito esteja na mira desses produtores musicais.

O ano que passou. Em setembro, durante sete dias, o Rio de Janeiro foi palco mais uma vez de uma edição do Rock in Rio, com ingressos esgotados em todos os shows, que misturou velhos conhecidos (Rod Stewart, Elton John, A-Ha, Queen, versão Adam Lambert, Metallica), com novas gerações (Sheppard, Alunageorge, Mastodon, Royal Blood, Kety Perry). 

Antes, em abril, houve a sexta edição do evento dedicado ao heavy metal, que reuniu o que há de melhor nesse segmento como Ozzy Osbourne, Motorhead, Kiss e Judas Priest em São Paulo. Além desses grandes eventos, outras atrações passaram por aqui, apesar da crise política e econômica e a alta do dólar já tivessem se instaurado de vez no início do segundo semestre. 

Procuradas pela reportagem, algumas produtores não quiseram dar entrevista alegando que esse não é o momento propicio para falar, entre eles: Roberto Medina, o idealizador e organizador do Rock in Rio, as produtoras musicais Move Concerts e Mercury Concerts, além da Time for Fun (T4F).

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