Criolo e Buika se destacam no Back2Black

Em sua 5ª edição, evento de música negra fez tributo a Miriam Makeba

MURILO BOMFIM / RIO, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2013 | 02h16

Após ter se destacado na versão londrina do Back2Black no ano passado, Criolo repetiu o feito na quinta edição do evento, que ocorreu entre sexta (15) e domingo (17), na Cidade das Artes, no Rio. Nos três dias do festival, ninguém juntou público e fez a plateia cantar como ele. Na primeira noite, o rapper abriu o show com Duas de Cinco, lançada recentemente.

Durante a apresentação, que teve manifestações dos fãs contra o governador Sérgio Cabral, Criolo fez menção à luta dos professores do Rio de Janeiro. Bogotá agitou o público, ganhando uma versão reforçada com ótimos metais e a luxuosa participação de Tony Allen, um dos pais do afrobeat.

Os 3.800 presentes no primeiro dia do festival também puderam conferir o som de Femi Kuti, filho de Fela Kuti. Na Grande Sala, teatro no andar superior da Cidade das Artes, Milton Nascimento emocionou a Cidade das Artes com os sucessos Clube da Esquina N.º2 e Maria, Maria.

A mesma Grande Sala foi destaque no segundo dia, com público de 3.100 pessoas. The Blind Boys of Alabama fizeram seu primeiro show no País. O som potente, misto de blues e gospel, preencheu o teatro e inutilizou as cadeiras: na dançante Look Where He Brought Me From, tanto os vocalistas quanto o público aproveitaram para dançar. Nos últimos momentos do show, o Reverendo Jesse Jackson - que participara, mais cedo, de uma conversa com Gilberto Gil - foi ao palco para prestigiar a banda.

Primeira atração internacional do dia, Mayra Andrade entrou com 40 minutos de atraso para mostrar o show de seu álbum recém-lançado Lovely Difficult. Em uma apresentação estável, cantou nove músicas do novo repertório, um pouco mais distante da música de Cabo Verde e mais próximo do pop internacional. "Neste novo disco, optei por cantar o que eu quisesse, independentemente da origem ou da língua. Eu estava precisando me emancipar dos códigos da world music. Queria a simplicidade e a universalidade da música pop", disse ao Estado. Outras quatro músicas de álbuns antigos integraram o set list, como Tunuka e Comme s'il en Pleuvait.

Marcado para as 22h30, o tributo à cantora e ativista Miriam Makeba começou à meia-noite. Um vídeo deu início à homenagem, contando a história da mulher que ficou conhecida como Mama África. Com 30 canções, o show - que teve participação da neta de Miriam, Zenzi Makeba - foi morno até a chegada de Gilberto Gil, que interpretou Oração pela Libertação da África do Sul e Manhã de Carnaval. No fim da apresentação, veio a já esperada Pata Pata, que reuniu vários artistas no palco.

Atraso. Com público de 1.900 pessoas, o terceiro dia foi marcado por atrasos. No palco Estrombo, com atrações secundárias, Maíra Freitas (filha de Martinho da Vila e irmã de Mart'nália) começou às 19h o show que deveria ter iniciado às 18h. Sua irmã entrou no palco da Grande Sala com 90 minutos de atraso e a equipe levou outros 20 minutos para fazer os acertos de som. Mart'nália fez uma homenagem a Vinicius de Moraes, "o branco mais preto do Brasil", abrindo a apresentação com um medley das músicas mais conhecidas do poeta e diplomata. Mesmo sendo curto - com apenas mais oito músicas -, o show atrasou as entradas de Buika e Bobby Womack, que se apresentaram no mesmo local.

Segundo a organizadora do evento, Connie Lopes, a demora é justificada por uma mudança em função da condição climática: a chuva e os ventos fortes poderiam ser um problema para Womack, que tem 69 anos e se curou de um câncer há pouco mais de um ano. O show foi transferido, na manhã de domingo (17), para a Grande Sala.

A mudança não afetou a atmosfera da apresentação de Womack. Acompanhado de nove músicos e três backing vocals, ele mostrou que sua ginga ultrapassa os limites de sua idade. Apesar de animado - principalmente quando as backings iam para frente do palco para mostrar a típica voz potente das cantoras negras americanas -, o show não cativou o público em todos os momentos.

A surpresa da noite veio pouco antes de Womack: era Concha Buika. Simples, entre seu pianista e seu percussionista, ela entrou com um sorriso largo no rosto, fez o sinal da cruz e soltou sua voz firme e rouca, com controle absoluto dos vocalizes. Antes de começar a segunda música, Buika se disse emocionada e foi aplaudida de pé. "Não sou valente para falar, mas sou muito valente para cantar", disse em outro momento, explicando as poucas palavras dirigidas à plateia. Não era necessário. Todos estavam extasiados com a performance da africana da Guiné Equatorial radicada na Espanha.

O festival foi encerrado com um tributo a James Brown com Pee Wee Ellis, Black Rio, Arthur Maia, Negra Li e Ed Motta.

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