Anne Saker/The Oregonian
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Crime e castigo

Joyce Carol Oates trata de fama e obsessão em seu novo romance Minha Irmã, Meu Amor

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

11 de agosto de 2011 | 00h00

A escritora americana Joyce Carol Oates se assemelha a um desenho animado em carne e osso: as sobrancelhas parecem pairar no ar quando usa óculos e os olhos não escondem uma pesada carga interrogativa. A fragilidade, no entanto, desaparece quando começa a escrever - eterna candidata a ganhar o Nobel de Literatura, Joyce vem se especializando em resgatar histórias tortuosas, recontadas a partir de uma ficção precisa e exuberante.

É o caso de Minha Irmã, Meu Amor, lançado agora pela Alfaguara. O fato real é escabroso: o assassinato de uma menina prodígio de apenas 6 anos, acontecido em 1996 e até hoje sem solução - ela foi encontrada no porão da casa, com os braços amarrados nas costas e o crânio esmigalhado. É o ponto de partida para Joyce construir um ambicioso romance sobre fama, obsessão e morte. E, apesar da tragédia ditar o tom, a escritora que completou 73 anos em junho chega a abusar da comédia, o que chega a provocar sobressaltos no leitor.

"Minha intenção era dramatizar a agudeza e o pathos particulares de uma vítima de um tabloide", comenta Joyce ao Estado, em entrevista por e-mail. Ela se refere à imprensa sensacionalista que, no mundo inteiro, fatura generosas quantias ao oferecer sangue coagulado em manchetes gritantes. Seu alvo é claro: o custo pago pela pessoa que se transforma em celebridade, ainda que a contragosto, e o frenesi que isso provoca na moderna cultura da fama.

Assunto semelhante foi tratado por ela em Blonde, portentoso livro que a editora Globo lançou em dois volumes. Trata-se de um romance, chamado de "épico" por ela, em que apresenta um exercício de livre imaginação para retratar a trajetória de Marilyn Monroe, a mais famosa das loiras do cinema. A intenção, novamente, era apresentar pessoas cujo sonho de sucesso nunca se realiza devidamente.

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