''Criei uma obra para grandes audiências''

Coreógrafo fala da importância de encantar vários públicos

Helena Katz, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2010 | 00h00

Uma Giselle dançada pelo Balé da Cidade de São Paulo? Uma das principais obras do que se chama de "balé de repertório", apresentada pela companhia que abandonou esse perfil no fim dos anos 1970? Pois é isso mesmo. Responsável pelos 80 minutos de coreografia e diretor artístico assistente do BCSP, Luiz Fernando Bongiovanni também desenhou os conceitos da cenografia e dos figurinos e assina a direção-geral da produção. "Minha mulher e meus amigos não são da dança. Como convidá-los a ver dança? A escolha por um clássico tem esse sentido. Gostaria que eles ficassem encantados pelas cores e pela música, que sofressem com Hilarion, que se apaixonem com Giselle, que achem graça nas criaturas em torno de Myrtha, e que saíssem do teatro sentindo o valor do amor verdadeiro. Criei uma obra para grandes audiências. Todo mundo paga imposto e tem direito a assistir a companhia", diz ele.

Para Bongiovanni, faz parte do perfil de uma companhia como o Balé da Cidade de São Paulo revisitar, de vez em quando, os clássicos. "Na verdade, a maioria do elenco também está revisitando Giselle de alguma maneira, pois já dançou algo dessa obra quando estudante, em alguma academia de bairro." Trata-se, ao que tudo indica, de uma guinada no perfil que a companhia vinha construindo, segundo declaração de sua diretora: "Já estamos pensando em qual clássico revisitar em 2011 e em 2012."

História. A primeira Giselle estreou na Ópera de Paris em 28 de junho de 1841, com coreografia de Jules Perrot e Jean Coralli, com libreto de Vernoy de Saint-George, Théophile Gautier e Jean Coralli. No elenco, Carlota Grisi (Giselle), Lucien Petipa (Albrecht), Jean Coralli (Hilarion) e Adéle Dumilâtre (Myrtha). Giselle, camponesa de 17 anos, vive feliz com sua mãe e tem um pretendente (Hilarion). Certo dia, o príncipe Albrecht chega à sua aldeia e, quando a vê, se apaixona. Disfarça-se de camponês para cortejá-la, ela também se apaixona, até que Hilarion desvenda a farsa e o denuncia. É quando Giselle descobre que se trata de um príncipe, e que ele tem uma noiva. Não suporta a realidade, enlouquece e se suicida.

O segundo ato começa com a visita de Hilarion e Albrecht ao seu túmulo. Por haver morrido antes do casamento, Giselle estava enterrada junto às outras jovens de mesmo destino, todas transformadas em willis. Ao anoitecer, as willis saem de seus túmulos e vingam-se dos humanos, fazendo-os dançar até a morte. A rainha das willis, Myrtha, é quem zela para que a sentença seja cumprida. Giselle tenta proteger Albrecht, dançando com ele para poupá-lo, para que resista até o amanhecer, pois o nascer do sol faz as willis retornarem a seus túmulos. Seu amor vence, Albrecht escapa, e volta, arrependido, para seu mundo.

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