Crianças lotam a Bienal para ver Mauricio de Sousa

A Bienal do Livro é das crianças e de Mauricio de Sousa, que arrastou centenas delas à sua maratona de autógrafos no último fim de semana. Uma hora e meia na fila do estande da Editora Globo, os irmãos Maria Isabel e Arthur Rodrigues Zullo, de 9 e 6 anos, mal se continham de felicidade diante do autor. "É a primeira vez que venho à Bienal do Livro e fiquei muito feliz quando cheguei e descobri que o Mauricio estaria aqui", comemorou a pequena leitora, que chegou com a família ao Pavilhão de Exposições do Anhembi às 10 horas do sábado - o episódio do autógrafo aconteceu por volta das 16 horas. Conseguir um autógrafo de uma grande estrela como o criador da Turma da Mônica é um plano que requer mais de três horas de planejamento. Primeiro, é preciso chegar ao estande da editora com muita antecedência - no mínimo duas horas antes do início previsto para a sessão de autógrafos - para conseguir uma senha, que é concedida mediante a compra de um livro do autor. No sábado, foram distribuídas cerca de 200 delas entre os estandes da Globo e da FTD. Pouco, muito pouco, e havia mais do que o dobro disso de carinhas tristes. Senha na mão, lá se vão algumas horas na fila. Mauricio autografa sem pressa, com uma atenção notável. Conversa, faz piada, posa para fotos e ouve com interesse o que cada fã da Mônica tem a dizer - muitos dão palpites sobre os rumos das historinhas. Enquanto isso, faz um desenho no livro de cada criança. "Lamento que elas tenham de passar tanto tempo na fila, mas é que o desenho demora. E quem ficou tanto tempo esperando, merece mesmo um desenho caprichado", diz o autor, às 20 horas, a fila ainda comprida à sua frente. Assim como no caso de Mauricio, todas as atividades dedicadas ao público infantil ficaram lotadas. As mesas de RPG da Livraria Devir eram das mais concorridas, ao mesmo tempo em que Pedro Bandeira e Ruth Rocha distribuíam autógrafos também aos montes. Compenetrada, Naomi Britto, de 7 anos, ouvia as explicações da autora Elizete Lisboa, do livro em braile A Bruxa Mais Velha do Mundo, no estande da Editora Paulinas. "Eu nunca tinha visto o alfabeto em braile. Achei muito legal ela ter feito um livro mesmo sem poder enxergar", observou a menina, na segunda Bienal de sua vida. A Bienal do Livro parece mesmo consolidada como um programão da família, daqueles típicos paulistanos: muita gente, muita fila. Fila para tudo, da compra do livro à do picolé. Apesar disso, o clima é de total harmonia e a quantidade de flagrantes de gentileza que se pode colher por ali até surpreende. Livro, afinal, merece reverência, respeito, ainda que uma das intenções da Bienal seja justamente a de democratizá-lo, aumentar seu contato com as massas. Neste espírito, freqüentadores assíduos como o casal Selma e Adalberto Canto aprovam a nova casa. É a primeira vez que a Bienal do Livro está no amplo Pavilhão do Anhembi, cobiçado há tempos pela organização do evento. "Já notei que aqui a circulação de pessoas é melhor, não há aglomerações, porque os corredores são mais largos", avaliou ela. "Você já percebe que ficou melhor logo no estacionamento: foi superfácil estacionar. Aqui dentro, não há mais aquela aglomeração toda das outras vezes, parece até que está mais vazio", observou Ana Beatriz Aletto Vieira, enquanto garimpava numa banca de ofertas - livros de culinária por R$ 5. "Eu venho mesmo à Bienal pelas ofertas. É possível encontrar muita variedade, com preços bons." ÔnibusO caminho para quem quiser ir ao Pavilhão do Anhembi de ônibus a partir das estações do metrô mudou. As linhas pagas com saída da estações Barra Funda (879A) e Tietê(179A) foram desativadas pela SPTrans. Agora, o visitante tem como opção apenas a linha gratuita, oferecida pela organização do evento. Os ônibus, vans e microônibus saem da estação Tietê, das 8 às 23 horas. Destaques de HojeO centenário do poeta Mário Quintana abre o Salão de Idéias às 11 horas, com Márcio Vassalo e Letícia Wierzchowski no debate O Encantamento da Poesia em Mário Quintana e no Dia-a-Dia. O livro Raul da Ferrugem Azul, de Ana Maria Machado, marcou o jovem Gabriel Costa, que fez um filme sobre a obra. Às 14 horas, Ana Maria e Costa falam sobre o ato de criar e recriar personagens em Cenas e Temas, no salão. Para fechar as atividades, o Cine-Debate, um painel para avaliar a relação entre cinema e literatura, com a presença de José Joffily, Helena Solberg, Rubens Ewald Filho e Gabriel Greeb. Às 20 h. No Espaço Literário Visa, às 11 horas, Sérgio Molina fala sobre Dom Quixote. E, às 19 horas, Laís Bodanzky discute Cinema de uma Cidade em Transe. 19.ª Bienal do Livro. Pavilhão de Exposições Anhembi. Av. Olavo Fontoura, 1.209, Santana, 6226-0400. Diariamente, das 10 às 22 horas. R$ 10. Até 19/3.

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