Criadores escalam seleção de artistas

Ao responder à pergunta "que artistas você acha que deveriam fazer parte do livro?", dez artistas brasileiros estavam dando forma à Arte e Artistas Plásticos no Brasil - 2000 (Metalivros). O livro será lançado amanhã no Museu de Arte Moderna (MAM) e traz um grande diferencial em relação ao gênero, normalmente resultado da visão da crítica de arte. É uma homenagem de quem faz arte para seus pares, que traça em 228 páginas a biografia resumida, textos e fotografias de obras dos cem nomes mais representativos nas artes brasileiras, escolhidos por Amilcar de Castro, Carlos Scliar, Emanoel Araújo, João Câmara, José Resende, Lygia Pape, Marcello Grassmann, Maria Bonomi, Siron Franco e Alex Flemming - também incluídos na publicação. "Queria homenagear os vivos", resumiu o editor Graça Couto, que teve a idéia do livro há oito anos. Não conseguiu concretizá-la antes por falta de patrocínio. A princípio, imaginou que críticos pudessem fazer as escolhas. "Mas críticos só falam do que está na crista da onda", diz Couto, que acabou decidindo-se pelos artistas mesmo. "Alguns dos que foram incluídos estavam esquecidos, como o Dudi Maia Rosa."Cadeiras metálicas - O frisson causado pela publicação não foi pequeno. A responsabilidade na mão de artistas trouxe algumas preocupações. "Eles ficaram com receio de ganhar inimigos, enquanto que os críticos questionavam minha decisão." Outra peculiaridade de Arte e Artistas Plásticos no Brasil - 2000 é ter garantido aos nomes o mesmo espaço e importância. Eles estão reunidos sob o critério de ordem alfabética. E tudo foi feito sob absoluto sigilo. Quem era procurado não sabia por quem havia sido indicado. Como Guto Lacaz, que ficou sabendo que seria incluído no livro após aceitar fazer seu projeto gráfico. "Fiquei surpreso, dos dez que fizeram a escolha, nenhum é de minhas relações." Lacaz pôde selecionar, como todos os outros, as obras que seriam incluídas. Figuram no livro a instalação de 25 cadeiras metálicas flutuantes que montou para o lago do Parque do Ibirapuera e o recorte em chapa metálica intitulado Trabalhador. A capa, de autoria de Lacaz, não privilegia ninguém. "Como não daria para fazer mosaico de cem obras, decidi por um trabalho gráfico." Outros incluídos no livro são Amélia Toledo, Tomie Ohtake, Adriana Varejão, Beatriz Milhazes e Antônio Poteiro. O patrocínio da obra é do grupo Tejofran.Lançamento de "Arte e Artistas Plásticos no Brasil - 2000" - no MAM (Parque do Ibirapuera, portão 3), Às 19 h. R$ 86.

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