Criador do sistema elogia sinfônica

"Bravo! Bravíssimo!". Foi o que mais se ouviu do maestro venezuelano José Antonio Abreu, de 72 anos, na tarde de terça. O fundador do programa de formação musical O Sistema, que atualmente ensina música para 410 mil crianças na Venezuela, foi conhecer as instalações do Instituto Baccarelli, na favela de Heliópolis. Com cerca de 1,2 mil alunos, Baccarelli em muito se assemelha ao Sistema.

Edison Veiga, O Estado de S.Paulo

25 Junho 2011 | 00h00

Com visível emoção, ele assistiu a uma pequena apresentação do Quinteto de Metais da Sinfônica Heliópolis - encantou-se com o baião Xaxando no Cerrado, de Fernando Morais -, observou o trabalho das crianças que estão aprendendo violino, ouviu o coro - com canções como Garota de Ipanema - e, por fim, pôde conferir a atuação da sinfônica.

"Estou encantado com tão alto nível. Espero firmar uma irmandade musical entre Brasil e Venezuela", afirma o maestro. Abreu não conseguia conter o enorme sorriso ao ver a performance dos jovens. Pelas janelas, ao fundo, se viam paredes sem reboco e a urbanização caótica e improvisada de Heliópolis. O Instituto Baccarelli tem turmas de aulas teóricas e canto a partir de 6 anos. Com 7, já é possível aprender as primeiras notas no violino.

Quando Abreu fundou O Sistema, em 1975, havia apenas uma orquestra sinfônica na Venezuela. Hoje, há pelo menos uma em cada cidade do país. Em 1993, o seu trabalho foi reconhecido pela Unesco, órgão da ONU para a Educação, Ciência e Cultura.

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