Criador do festival É Tudo Verdade lança livro

Em anos recentes, Amir Labaki consolidou a imagem de Sr. Documentário. O gênero já o interessava, mas desde que fundou o Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio, em 1995, ele não apenas aprofundou o conhecimento da matéria como transformou seu evento numa grande vitrine que reúne convidados do Brasil e do exterior e abriga (há seis anos) uma conferência internacional para tratar do assunto. Um novo É Tudo Verdade está para começar. O 11.º Festival Internacional de Documentários ocorrerá de 23 de abril a 2 de maio em São Paulo e de 24 de maio a 2 de junho, no Rio, com programações em Brasília e Campinas. Há mais novidades de Amir Labaki. Há dois anos, o Instituto Moreira Salles lhe propôs a realização de um ciclo de palestras - sobre documentários, claro. Aceita a proposta, o evento saiu em 2005, sob a forma de um conjunto de cinco conferências historiando a evolução do documentário brasileiro. Foram reunidas num volume sob o título de Introdução ao Documentário Brasileiro, que o autor autografa hoje na Livraria Cultura. Cinéfilo que se preze sabe da importância que o documentário adquiriu nos últimos anos. Houve um boom nacional e internacional. Saber um pouco mais sobre as origens do documentário no País vem bem. Labaki foi às fontes de consultas, viu numerosos filmes. Descobriu preciosidades que datam da época do cinema mudo, mas não tem dúvidas em afirmar - o marco da (r)evolução do documentário brasileiro é Aruanda, de Linduarte Noronha, no alvorecer do Cinema Novo. É quando também começa a surgir uma reflexão sobre a cultura do documentário no Brasil, com textos de Jean-Claude Bernardet e Glauber Rocha. Informação, discussão, reflexão. Tudo isso você encontra no livro de Amir Labaki e no evento que ele promove. O 11.º É Tudo Verdade ainda nem começou e já comemora um recorde de inscrições - foram quase mil inscritos (956), sendo 568 produções internacionais, de 81 países, e os restantes 388 do Brasil. Face a uma oferta tão grande, o desafio de Labaki é ser rigoroso na seleção, impedindo que o festival cresça demais. As mostras têm de ficar em torno de cem filmes, divididos entre a competição brasileira de curtas, médias e longas, a internacional de longas (da qual participa o vencedor da etapa nacional), mais as retrospectivas e as seções informativas Horizonte, Foco Latino e O Estado das Coisas. Foram selecionados 16 documentários para a mostra internacional (o 17.º será o brasileiro). Entre eles estão Briga de Rua, sobre uma disputa eleitoral em New Jersey, que concorreu ao Oscar; O Cabelo de Beethoven, sobre o célebre cacho que teria sido cortado do grande compositor, em seu leito de morte; El Perro Negro - Histórias da Guerra Civil Espanhola; e Guantánamo - As Novas Regras da Guerra, sobre o campo de prisioneiros instalado na base americana em Cuba (mesmo tema do vencedor do Urso de Ouro em Berlim, Road to Guantánamo, de Michael Winterbotton). São documentários sociais, investigativos, poéticos. O experimentalismo dá o tom da competição nacional, com os novos curtas de André Ristum (De Glauber para Jirges) e Joel Pizzini (Dormentes). São 19 títulos, no total - 10 longas e médias; 9 curtas. A vertente social e político é vasta e inclui - Atos dos Homens, de Kiko Goifman, sobre um massacre na Baixada Fluminense; À Margem do Concreto, de Evaldo Mocarzel, e Dia de Festa, de Toni Venturi, sobre ocupações urbanas; Caparaó, de Flávio Frederico, sobre a guerrilha; e Pixote - In Memoriam, de Felipe Briso e Gilberto Topzewski, sobre o ator do clássico de Hector Babenco, Fernando Ramos da Silva. As retrospectivas privilegiam Jorge Bodanzky e Werner Herzog e haverá uma homenagem ao crítico, professor e cineasta Jean-Claude Bernardet. O Estado das Coisas propõe uma seleção temática batizada de A Era do Medo para refletir sobre este século 21, que começou sob o signo do terror. Introdução ao Documentário Brasileiro. De Amir Labaki. Editora Francis. 128 páginas. R$ 16,50. Livraria Cultura/Conjunto Nacional. Av. Paulista, 2.073, 3170-4033. Hoje, 19 horas.

Agencia Estado,

14 de março de 2006 | 12h10

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