Criador do Capitão América fala como 'lenda' na NY Comic Con

Joe Simon fará parte da mesa 'lendas por trás das histórias em quadrinhos' na sexta-feia, 18

Joyce Dopkeen, do The New York Times,

17 de abril de 2008 | 19h53

"Lenda viva" é como Joe Simon é categorizado na lista de convidados especiais da New York Comic Con (convenção de quadrinhos da cidade) que acontece esta semana. Simon, de 94 anos, olha para isso de maneira diferente. "Eu chamaria de um homem velho", ele disse durante entrevista recente em seu apartamento em Manhattan.   Divulgação Primeira capa do Capitão América, com Hitler levando um soco   Simon fará parte da mesa "lendas por trás das histórias em quadrinhos" na sexta-feira, 18, um dos numerosos eventos planejados para a convenção, uma celebração de três dias de todos os quadrinhos.   Ele ganhou o título de lenda juntamente com seu colega Jack Kirby por criar o Capitão América, super herói que chegou em dezembro de 1940, bem a tempo de pagar um tributo patriótico aos poderes de Axis. A capa da primeira edição tem o bom capitão socando Hitler no maxilar.   Para Simon e Kirby, entretanto, o grande salto aconteceu quando eles saíram da série, que vendia um milhão de cópias por mês, em uma disputa por direitos autorais. A equipe foi para a Detective Comics (hoje, DC Comics), mas o Capitão América permaneceu com a Timely, que dirige a Marvel Comics.   É uma história merecedora de seu próprio quadrinho: na fronteira de uma nova indústria, escritores e artistas criando personagens importantes, mas editores lucrando com eles.   Hoje em dia criadores aprenderam a garantir de alguma forma sua autoria por seus trabalhos. Mas alguns dos pais dos maiores super heróis da América ainda buscam justiça. Mês passado um juiz federal determinou que os herdeiros de Jerry Siegel, um dos criadores de superhomem, podem reclamar uma parte do copyright do personagem. Time Warner, dona do DC Comics, manteria os direitos internacionais.   "Isso é ótimo", disse Simon. "Jerry Siegel começou tudo", acrescentou, referindo-se ao esforço da esposa e da filha de Siegel em 1997 para garantir os direitos autorais do superhomem. Essa família inspirou Simon a brigar pelos direitos do Capitão América em 1999.   "Nós sempre sentimos que 'fomoz roubados', como dizia Joe Jacobs, o promotor de box", disse Simon a respeito de sua disputa pela autoria do personagem, que ele resolveu com um acordo fora dos tribunais com a Marvel em 2003. Ele disse que seus royalties para vendas e uso licenciado do herói ajudaram a pagar suas depesas com o caso.   Mas copyright não estava na mente de Simon quando ele estava criando o Capitão América. Ele nem começou com o herói. "Vilões eram a coisa toda", disse. E não havia vilão melhor que Hitler. Quem melhor para derrotá-lo que um super soldado vestindo uma bandeira americana?   A arte da série também foi inovadora. "Kirby começou com sua idéia de arte elástica, ação e desenhos em páginas duplas", disse. "Foi uma combinação toda nova." Mas isso não iria durar. A dupla sentiu que estavam sendo enganados nos direitos autorais por seu editor, Martin Goodman. Frustrada, a equipe começou negociações para mudar para a Detective Comics. Quando Goodman descobriu isso, Simon e Kirby foram demitidos, mas não até depois de terminarem a edição número dez do Capitão América.   Na Detective, os dois criaram Sandman, the Guardian, Manhunter e mais. Para outra companhias eles criaram the Fly e Fighting American. De suas idéias, Simon disse, "uma falhava, outra falhava e, eventualmente, conseguia uma bem sucedida."   Simon está surpreso com o interesse por ele e a continua vitalidade dos personagens de histórias em quadrinhos. Mas, disse ele, ele sempre esteve preocupado em conseguir dinheiro com seu trabalho.   "As pessoas nessa área dos quadrinhos têm uma história muito triste em lidar com as pessoas da criação", disse.   Todd McFarlane, de 47 anos, que em 1992 ajudou a fundar a Image Comics, concorda. "Eu li as histórias de Joe Simon", disse. "Eu li as histórias de Jack Kirby. Eu li as histórias de todos esses caras dos anos 40, 50 e até 60. Eu fiquei cruzando sempre com a mesma história: as pessoas da criação sempre levavam a pior."   O trabalho de arte de McFarlane para o Homem Aranha fez dele uma estrela dos quadrinhos. Sua interpretação do personagem levou o quadrinho devolta ao status de mais vendido.   Simon pode não estar envolvido em quadrinhos mensais, mas ele ainda está desenhando. Em setembro de 2001, ele recriou a primeira capa do Capitão América, mas substituiu Hitler por Osama Bin Laden. "Não fiz por raiva", disse. "Adolf foi punido, Osama será também."   Quando ele ouviu de amigos da Marvel que o Capitão américa poderia ser assassinado em 2007, Simon pegou nos pincéis. O Resultado foi um quadro da "última ceia", com o Capitão no lugar de Jesus e 12 amigos cercados de junk food.   Simon disse que estava preocupado sobre a direção que herói - bem, sua substituição - tomou. "O novo uniforme, com uma pistola e uma faca, e o antigo desenho do escudo indo para suas partes íntimas, isso não é o Capitão América", disse. Simon disse estar preocupado que alguém "alvejasse um campus" dizendo que se inspirou no personagem.

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