Criador de Tiazinha e Feiticeira inicia projeto social

"Boas idéias e muito trabalho" é o lema de Luciano Huck. Com menos de dez anos na televisão, o apresentador conquistou sucesso na Rede Globo, o sonho profissional de quem trabalha na tevê, e virou uma espécie de Midas dos programas enlatados. Amor a Bordo, Agora ou Nunca e Acorrentados são exemplos de quadros na linha reality-show que em suas mãos conquistaram a audiência das tardes de sábado derrubando até o veterano Raul Gil, que chegou a liderar o horário com seu quadro de calouros. Para este ano Huck já prepara mais uma novidade. Com estréia prevista para 12 de abril, o novo quadro de seu Caldeirão se chamará Exaustos. "Por enquanto só adianto que será um jogo no qual vence quem agüentar mais tempo acordado", diz ele, econômico em informações para não ser "atropelado" pela concorrência. E Luciano não dorme em serviço. Além do novo quadro, o apresentador e empresário que não pára de ter idéias colocará em prática um projeto que fará até Raul Gil lhe tirar o chapéu. Bem nascido e, até agora engajado apenas com seu sucesso, ele investirá suas energias no terceiro setor em 2003. É dele a escola batizada de Instituto Criar de Televisão e Cinema, um centro de capacitação profissional para jovens carentes entre 14 e 24 anos que ensinará profissões ligadas à área formando operadores de câmera, iluminadores, cenógrafos, cabeleireiros e figurinistas. São atividades "de bastidor" - por enquanto, não há a intenção de formar atores ou apresentadores. "Sempre tive vontade de fazer um projeto no terceiro setor, e agora que estou maduro e estável é a hora de desenvolvê-lo. Não queria que as pessoas pensassem que era um capricho ou um mimo meu." E por que apostar na formação de gente para trabalhar nos bastidores de tevê? "É disso que eu entendo. Quando estou gravando olho ao meu redor vejo mais de 50 profissões possíveis", diz. Mas não esperem que o projeto vá dar origem à "escolinha do professor Luciano". O apresentador não irá se colocar à frente do quadro-negro. Os cursos, que devem atender cerca de 20 crianças por turma, serão ministrados por profissionais de cada área, com apoio técnico do Senac, uma das únicas escolas que tem know-how nesse tipo de especialização. Depois de inaugurá-lo, Luciano fará parte do conselho administrativo do Instituto. O projeto está longe de ser um capricho de um socialite bem sucedido. Luciano pensou em todos os detalhes e cuida pessoalmente da captação de patrocinadores (ele estima que serão necessários R$ 2 milhões por ano para tocar o projeto). Fez parcerias com ONGs e instituições sociais como Gol de Letra e Aprendiz. "Não dá para pegar uma criança na rua e querer ensinar a mexer numa câmera se ela não pode assinar o seu nome ou não sabe a importância de escovar os dentes", diz. "Vamos trabalhar com pessoas que as outras instituições nos encaminharem. Elas dão educação e estrutura e nós as capacitamos para o mercado de trabalho." Além das instituições, outra parceria importante será com o Governo do Estado, que deve doar um espaço público desativado para sediar o Instituto. "Estamos esperando uma resposta do governador. Mas se demorar demais vou aceitar um galpão oferecido por um amigo", diz Luciano. Dinheiro para a construção ele já arrecadou junto à iniciativa privada. Sem dar pistas, promete fazer um "super evento" em abril para levantar mais recursos. Huck planeja ainda, em três anos, montar no Instituto uma produtora cooperativa, uma prestadora de serviços que use como funcionários os próprios alunos que tiverem se formado. E, se tudo der certo, vai montar filiais da escola em outras capitais. Em se tratando de Luciano Huck, os planos devem se concretizar. Amigos, amigos, negócios incluidos - À vontade em seu escritório em São Paulo e vestindo a camiseta desenvolvida para o Instituto Criar de televisão e Cinema, Luciano Huck ataca de modesto quando o assunto são seus empreendimentos bem-sucedidos. Não que ele os esnobe; pelo contrário, deixa claro que tudo o que conseguiu foi com muito trabalho. Mas não cansa de repetir que suas boas idéias não são só suas. ?Não sei fazer as coisas sozinho. Tudo o que desenvolvo é em parceria. Gosto de montar times e gosto que os integrantes sejam, ou virem, meus amigos.? Esse foi o tom da resposta quando perguntado sobre o segredo do sucesso de seus projetos, entre eles o ?Caldeirão?do Huck?, o ?H? (seu primeiro programa de tevê, exibido pela Bandeirantes), o restaurante Ecco, do qual é sócio, a boate Sirena, em Maresias (da qual participou da fundação) e a casa noturna Cabral, um dos maiores points dos mauricinhos e patricinhas paulistanos no início dos anos 90. Luciano tem também um restaurante em Belo Horizonte chamado Alegria além de duas rádios cariocas que comprou recentemente. Tudo sempre em sociedade com amigos. Ele pode até querer disfarçar seu espírito empreendedor, mas não tem como negar seu olho clínico para encontrar beldades nacionais. É dele o mérito de lançar duas garotas que se tornariam capa (e recorde de vendas) da revista ?Playboy?: Tiazinha e Feiticeira. Suzana Alves, a ex-mascarada dançarina que judiava dos garotos com chicotadas no ?H?, foi sua primeira grande descoberta. Aos 20 anos, a morena virou símbolo sexual dos brasileiros e deixou o programa de Luciano pouco depois da entrada da companheira Feiticeira ? outra personagem de sucesso, com quem dividiu também espaço na segunda edição da ?Casa dos Artistas?, do SBT.

Agencia Estado,

13 de fevereiro de 2003 | 10h59

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