Criado no Rio o Instituto Tom Jobim

Seis anos após a morte de Tom Jobim (que se completam em 9 de dezembro), o Rio não se cansa de louvá-lo. Mas a próxima homenagem, a exposição Nas Trilhas do Tom, a partir de quarta-feira, no shopping Rio Design Barra, marca o lançamento do Instituto Tom Jobim, que tornará acessível a músicos e pesquisadores não só a obra do compositor como também seu acervo particular, com textos, partituras e, claro, as músicas que ele fez e gravou. A idéia era acalentada pelo próprio compositor, que temia ter as músicas esquecidas. Isso não aconteceu, mas seu filho, Paulo Jobim, quer facilitar o acesso ao acervo, que considera razoavelmente organizado. "Até aqui, atendo às solicitações na medida do possível, mas queremos que o material a respeito do Tom esteja disponível na internet ou em CD-ROM, que poderemos enviar a quem pedir", diz Paulo Jobim. "Desde a criação do projeto Tom da Mata tínhamos essa intenção, mas só agora conseguimos formalizá-la." O acervo Tom Jobim faz jus à sua obra, com mais de 200 músicas gravadas em quase quatro mil versões. São 30 mil documentos que, grosso modo, podem ser divididos entre música, propriamente dita, e escritos: cartas e anotações que ele fazia em cadernos de espiral, sem muita disciplina, mas fartamente. Esse material está guardado na casa em que o compositor morou e vem sendo catalogado aos poucos. "As músicas começaram a ser organizadas e a ter as partituras recuperadas com o lançamento do primeiro livro do Cancioneiro Jobim", lembra Paulo Jobim. Foi fácil recuperar a produção recente, mas músicas antigas, como a trilha original de Orfeu da Conceição ou as sinfonias de Brasília e do Rio foram reescritas. "As partituras dos arranjos não existem, inteiras, e partimos da gravação original. Em alguns casos, comparamos duas ou três versões, porque as músicas mudam com o tempo, o que é bom, mas é preciso ter o registro do compositor." O lançamento da versão completa do Cancioneiro Jobim, composto por seis livros, com as partituras originais, organizadas cronologicamente, vai ser em novembro, aproveitando a exposição no Rio Designer Barra, mas será só um dos itens do evento. Para dar uma idéia global do obra, de como o compositor se inspirou e como trabalhou, várias outras atividades estão programadas, nos três andares do shopping, ocupando uma área de cinco mil metros quadrados. No primeiro andar, painéis com fotos e textos, organizados por Eliane Jobim, nora do compositor, apresentam-no ao público. No segundo andar, uma instalação criada por Marcelo Dantas mostra Tom Jobim por ele mesmo, a partir de vídeos e gravações domésticas em que o compositor fala, toca e canta. "Parti de uma frase em que ele afirmava dever sua música à floresta, aos bichos (aí se incluindo as mulheres), à praia, ao mar e ao Rio", explica Dantas. "De 50 horas de gravações, chegamos a 45 minutos, que podem ser vistos separadamente, em cada um dos telões, ou em conjunto. Quis mostrar as inspirações do Tom a partir de depoimentos dele." A extensa obra em vídeo ou cinema de Tom ou sobre ele terá exibição separada. Segundo Vanda Klabim, que vai dirigir o Instituto Tom Jobim e faz a curadoria da exposição, há muito material, desde filmes como Orfeu Negro, de 1959, ganhador do Festival de Cannes e do Oscar de filme estrangeiro desse ano, a clipes com músicas que fez para novelas (como Luíza, para Brilhante, da TV Globo), sem esquecer documentários e especiais para televisão (como Visão do Paraíso, sua derradeira obra). O evento terá ainda shows e palestras de amigos, parceiros e pesquisadores da obra. Os shows começam com Francis Hime, na noite de abertura, e as palestras, de 18 a 28, reunirão Chico Buarque, Caetano Veloso, Almir Chediak, Sérgio Cabral, Edu Lobo e Helena Jobim (irmão e biógrafa dele), entre outros. Fotos pouco conhecidas estarão expostas no terceiro andar do shopping, onde será reproduzida a sala de sua casa e onde haverá atividades educativas, a cargo de Antônio Adolfo e Daniel Azulay. Nas Trilhas do Tom está prevista para durar até janeiro, mas a idéia é levar a mostra (ou parte dela) para outras cidades. Para Paulo Jobim, é importante instaurar o Instituto Tom Jobim, que ainda depende de patrocínio para funcionar efetivamente. "Preservar, reproduzir e tornar acessível todo seu acervo custa cerca de R$ 600 mil, e buscamos parceiros para realizar essa tarefa."

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